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Chip implantado no corpo permite tratar a osteoporose à distância

Aparato, que funciona junto a um controle remoto sem fio, libera doses de medicação ao organismo e poderá ser utilizado para tratar outras doenças

Um teste clínico mostrou pela primeira vez que é possível controlar remotamente um chip implantado no corpo para liberar doses de medicação e, neste caso, para tratar a osteoporose nas mulheres. Esta técnica poderá ser aplicada para tratar de forma mais eficaz outras doenças como o câncer, segundo os pesquisadores. A pesquisa foi publicada na revista Science Translational Medicine e também será apresentada na conferência anual da Sociedade Americana para a Promoção da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), que está reunindo 8.000 pesquisadores em Vancouver, Canadá. A conferência começou no dia 16 e vai até o dia 20 de fevereiro.

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OSTEOPOROSE

É uma doença progressiva que reduz a densidade óssea, fazendo com que os ossos fiquem fracos e facilitando a ocorrência de fraturas. É um processo comum do envelhecimento e atinge mais as mulheres. Sedentarismo, magreza, menopausa prematura, tabagismo e histórico familiar da doença são outros fatores de risco para a osteoporose. Até os 30 anos, a densidade dos ossos de uma pessoa somente aumenta. Depois disso, diminui lentamente, o osso se torna mais frágil e propenso ao aparecimento de osteoporose. O consumo de cálcio e de vitamina D é uma maneira de prevenir e de tratar o problema, junto com a prática regular de atividade física e medicamentos. O início da osteoporose não apresenta sintomas, já que a perda da densidade dos ossos é gradual. Depois, dores intensas e fraturas aparecem com mais frequência.

“Os doentes não vão precisar se lembrar de tomar o medicamento ou sofrer com as várias injeções necessárias para tratar a osteoporose”, explicou o Dr. Robert Farra, chefe da empresa MicroCHIPS com sede em Massachusetts (nordeste dos Estados Unidos) que desenvolveu este chip eletrônico. Farra é um dos coautores deste projeto junto com outros pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), da faculdade de medicina de Harvard e da Universidade Case Western Reserve (Ohio, leste).

Ao contrário da maior parte dos chips que, pré-programados, liberam lentamente pequenas doses de medicamento por certo período, este novo chip libera o tratamento graças a um controle remoto sem fio. “Este sistema permite liberar um medicamento no sangue rapidamente como uma injeção”, explicou o Dr. Farra. “A medicação poderá ser ajustada à distância e, suavemente, o tratamento dos pacientes será feito por meio de um computador ou celular”, acrescentou.

Segundo os autores do estudo, este novo chip do tamanho de um marcapasso cardíaco, poderá ser mais satisfatório e, talvez, menos dispendioso em longo prazo do que as injeções diárias de medicamentos.

A pesquisa – O estudo foi realizado na Dinamarca com um grupo de sete mulheres de 65 a 70 anos com osteoporose. Os pesquisadores implantaram o chip logo abaixo da cintura em cada uma dessas mulheres. O procedimento pode ser realizado por um clínico geral em seu consultório com apenas anestesia local. As participantes foram observadas durante 12 meses. Neste período foi constatado que o chip libera o medicamento, chamado de teriparatide, de maneira tão eficaz quanto as injeções diárias.

O teriparatide melhora a formação de massa óssea e reduz o risco de fratura. Os chips usados no estudo clínico tinham 20 doses de medicamento. Mas a empresa MicroCHIPS trabalha para criar exemplares capazes de estocar centenas de doses.

(Com agência France-Presse)