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Casos de dengue caem no Brasil, mas aumentam no Rio

Houve redução no número de mortes e de casos graves no país na comparação entre o primeiro quadrimestre de 2011 e mesmo período de 2012

Caiu o número de mortes por dengue no Brasil, de acordo com balanço do Ministério da Saúde divulgado nesta quinta-feira, em Brasília. De janeiro a abril de 2012 foram registrados 74 óbitos em decorrência da doença. No mesmo período do ano passado houve 374 mortes. O número de casos graves também apresentou redução, de 8.630 no primeiro quadrimestre de 2011 para 1.083 no mesmo período de 2012. O registro total de casos no país caiu de 507.798 para 286.011. Para o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, há uma tendência “consistente e sustentada” de redução de casos. Entre os dez municípios com mais de 100.000 habitantes e maior concentração de registros de dengue, no entanto, a situação é preocupante. Em seis deles houve aumento no número de casos. A cidade do Rio de Janeiro está no topo da lista, com 64.675 registros nos primeiros quatro meses de 2012 – contra 49.593 no mesmo período de 2011. Em seguida vem o Recife (6.343 casos), Palmas (4.706), Cuiabá (4.460), Itabuna (3.088) e Teresina (3.000). Leia também Panamá investe em mosquitos geneticamente modificados para conter dengue Epidemia de dengue atinge dois municípios do Rio A incidência, dado que leva em conta a proporção entre os registros e a população da cidade, pulou de 801,6 em 2011 para 1.045,4 em 2012 no Rio de Janeiro. Ainda assim há duas cidades em que a situação é pior que no Rio: Palmas, com incidência de 2.494,7 e Itabuna, de 1.445,3. Apesar do número que indica a existência de uma epidemia de dengue nessas cidades, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que os registros ficaram abaixo do esperado, por exemplo, no Rio de Janeiro. Além disso, o número de mortes diminuiu de um ano para outro. Passou de 43 para 15 no Rio; de 23 para 5 em Fortaleza; e de 5 para 2 em Goiânia. Salvador passou de 1 para 3 mortes. “O Rio de Janeiro tinha o risco real de, em 2012, ter a maior epidemia de dengue da história do Rio de Janeiro, ultrapassando 2002 que teve, de janeiro a abril, 145.000 casos”, afirmou Padilha. A expectativa se justificava pela chegada ao Brasil de um novo sorotipo da doença, a dengue tipo 4. “O que contribuiu para não ter acontecido uma epidemia maior que a de 2002 foi a antecipação das ações e uma grande cooperação da prefeitura e do governo do estado nas ações do Ministério da Saúde.” O ministro informou que a dengue tipo 4 está em estudo, mas parece se espalhar com menos velocidade geograficamente do que os tipos 1, 2 e 3, apesar de ser tão grave quanto as outras. Combate – Para Padilha, a redução no número nacional de registros, casos graves e mortes em decorrência de dengue mostra acertos na política de combate à doença feita pelo governo federal. “O conceito de enfrentar a dengue matando mosquito é absolutamente ultrapassado”, disse o ministro. “Enfrenta-se a dengue com ações de cuidado à saúde, identificação de casos graves, redução de tempo de espera para diagnóstico e tratamento.” O período entre janeiro e abril é o de maior incidência de dengue no país, por causa das condições climáticas. No segundo semestre, a prioridade do governo são ações de mobilização e prevenção. Padilha afirmou que não permitirá que o calendário eleitoral – em outubro haverá votação para prefeito e vereador nos municípios brasileiros – atrapalhe as ações de combate à doença. “É um crime contra a saúde pública paralisar as ações de vigilância no segundo semestre por causa das eleições”, afirmou o ministro. Estados – Dez estados concentram mais de 80% dos casos notificados no primeiro quadrimestre deste ano. São eles, consecutivamente, Rio de Janeiro (80.160), Bahia (28.154), Pernambuco (27.393), São Paulo (19.670), Ceará (17.205), Minas Gerais (14.006), Mato Grosso (13.802), Tocantins (11.589), Pará (11.223) e Rio Grande do Norte (10.286).