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Carne bem passada eleva riscos de tumor de próstata

O consumo da carne vermelha grelhada ou em churrasco pode aumentar em até duas vezes os riscos de desenvolvimento da doença

Por Da Redação - 28 nov 2011, 10h36

Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade da Califórnia oferece evidências sobre a relação entre o câncer de próstata agressivo e o consumo de carne vermelha. O estudo sugere que essa relação seria causada principalmente pelo consumo da carne grelhada ou do churrasco, especialmente quando ela está bem passada. Os pesquisadores esperam que a descoberta ajude a determinar quais os potenciais causadores de câncer de próstata nos quais devem ser focadas as estratégias de prevenção. O estudo foi publicado na edição online do periódico PLoS ONE.

Apesar de já estabelecida, a relação entre o consumo de carne vermelha e o câncer de próstata ainda não estava clara. Os pesquisadores se propuseram, então, a descobrir se essa inconsistência se devia ao fato de diferentes tipos de tumores estarem relacionados a diferentes tipos de preparação da carne.

Pesquisa – Durante o estudo, feito entre 2001 e 2004, foram analisados 470 homens com câncer de próstata agressivo e 512 homens que não tinham a doença. Todos responderam questionários que permitiram aos pesquisadores avaliar não só o consumo de carne vermelha nos 12 meses anteriores, mas também o tipo de carne e sua preparação, incluindo o nível de cozimento.

Descobriu-se, então, que o consumo elevado de carne moída ou de processada estava positivamente relacionada com o câncer de próstata agressivo; a principal causa dessa relação foi a ingestão de carne grelhada ou de churrasco, tendo a carne mais bem passada os maiores riscos para a doença; homens que consumiam as maiores quantidades de carne vermelha moída bem ou muito bem passada tinham duas vezes mais chances de desenvolver o câncer de próstata agressivo – o consumo baixo aumentava os riscos em 1,5.

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“Embora certos compostos mutagênicos, como MelQx e DiMelQx, tenham um papel fundamental nesse processo, outras moléculas também podem estar envolvidas. É preciso novos estudos para caracterizar melhor o papel desses compostos no câncer de próstata e para se descobrir se eles podem ser o alvo de uma prevenção quimioterápica desse câncer”, dizem os especialistas.

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