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Berlim: judeus ficam indignados com regras de circuncisão

Só especialistas poderão fazer cirurgia e com autorização dos pais de menores

Por Da Redação - 6 set 2012, 13h12

A comunidade judaica em Berlim se mostrou indignada nesta quinta-feira com as condições impostas pela Justiça local para que a circuncisão por motivos religiosos continue sendo legal na capital alemã. Agora, a intervenção só poderá ser praticada por um especialista e atendendo aos padrões médicos, embora não precise ser realizada necessariamente em um hospital.

Além disso, o titular de Justiça de Berlim, Thomas Heilmann, anunciou na quarta-feira que a partir de agora os pais ou tutores dos menores judeus e muçulmanos serão obrigados a confirmar de forma expressa e por escrito que aprovam a circuncisão, levando em conta “os possíveis riscos para a saúde” que essa intervenção pode acarretar. Os pais também deverão certificar a motivação religiosa e a necessidade dessa circuncisão, por exemplo, com uma confirmação de sua comunidade.

“Trata-se de uma flagrante ingerência a uma tradição do judaísmo com mais de 3.000 anos de antiguidade”, disse a comunidade judaica em um comunicado. As autoridades berlinenses decidiram regulamentar a circuncisão religiosa após a sentença anunciada por um tribunal provincial de Colônia, que passou a qualificar o ato como “lesão física ilegal e sancionável”.

Israel – No entanto, o Conselho Central dos Judeus na Alemanha se mostra contrário à medida que estabelece que apenas os médicos fiquem autorizados a realizar circuncisões. Antes disso, o presidente de Israel, Shimon Peres, havia pedido ao presidente alemão, Joachim Gauck, que intercedesse a favor do direito à circuncisão em menores por motivos religiosos, já que, segundo Peres, “a brit milah (circuncisão) é um ritual judeu essencial há milhares de anos para a identidade judaica e distintiva para um judeu”.

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Em julho, o Parlamento alemão aprovou, por grande maioria, uma resolução defendendo a legitimidade da circuncisão em menores de idade, como expoente do respeito à liberdade de religião. Porém, a necessidade de uma regulamentação surgiu após a decisão do tribunal de Colônia, para quem a prática viola o direito de autodeterminação da criança, o qual deve sobressair sobre a liberdade religiosa.

(Com agência EFE)

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