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Barulho do trânsito aumenta risco de derrame em idosos

Chance de ter um AVC é ainda maior entre as pessoas com mais de 65 anos

Por Da Redação - 26 jan 2011, 06h58

“Pessoas mais velhas tendem a ter padrões de sono mais fragmentados e são mais suscetíveis aos distúrbios do sono. Isto poderia explicar a associação entre o ruído do tráfego e o risco de AVC”

Mette Sorensen, pesquisador

Morar perto de uma via movimentada pode trazer mais problemas à saúde do que se imaginava. A exposição ao barulho do tráfego aumenta o risco de acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. De acordo com pesquisa publicada nesta quarta-feira na edição online do European Heart Journal, o perigo é maior nas pessoas com mais de 65 anos.

O estudo mostrou que as chances das pessoas abaixo dessa faixa etária sofrerem um AVC eram estatisticamente desprezíveis. Contudo, acima dessa idade, o risco aumenta 27% a cada 10 decibéis a mais de barulho – e cresce ainda mais se o barulho ultrapassar os 60 decibéis.

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A pesquisa é um recorte do estudo dinamarquês Dieta, Câncer e Saúde, que recrutou 57.053 pessoas com idades entre 50 e 64 anos. Deste total, 51.485 participantes forneceram os locais em que moravam há pelo menos dez anos e os resultados mostraram que 1.881 sofreram derrame. Para o estudo, os pesquisadores consideraram o nível de poluição do ar, a exposição a vias movimentadas e a rota de aviões, além de outros fatores como estilo de vida, fumo, dieta e consumo de álcool e cafeína.

Estudo pioneiro – Estudos anteriores já relacionaram o barulho das ruas ao aumento da pressão sanguínea, aos ataques cardíacos e a outras doenças cardiovasculares. “Este é o primeiro estudo a investigar a associação entre a exposição ao ruído do tráfego e o risco de AVC”, diz Mette Sorensen, autor da pesquisa.

“Pessoas mais velhas tendem a ter padrões de sono mais fragmentados e são mais suscetíveis aos distúrbios do sono. Isto poderia explicar porque o risco de acidente vascular cerebral foi observado principalmente nas voluntários idosos”, afirma Sorensen.

Como o estudo é epidemiológico, não é possível afirmar que o barulho do tráfego seja a causa do aumento do risco de AVC, apenas que existe uma relação. O mecanismo pelo qual o barulho poderia aumentar o risco de AVC ainda é desconhecido.

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Estudos anteriores já haviam demonstrado que a exposição prolongada aos barulhos do tráfego rodoviário e aéreo na faixa entre 65 e 70 decibéis (o barulho de um automóvel em trânsito) era associada com o risco de doenças cardiovasculares. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, apesar de pequeno, o aumento do risco é importante pois atinge um grande número de pessoas.

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