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Um risco à deriva

Iceberg com área maior que a do Distrito Federal se desprendeu da Antártica em julho

Durante duas décadas, uma equipe de cientistas do projeto internacional Midas, da Universidade de Swansea (Reino Unido) — que monitora regiões da Antártica com o propósito de detectar efeitos drásticos do aquecimento global no mais meridional dos continentes —, teve praticamente um só trabalho: observar a Plataforma Larsen C, uma espécie de prolongamento flutuante das incomensuráveis geleiras existentes por lá. E, nesse longo período, nada ocorreu. Em julho, no entanto, aconteceu o que havia muito se temia: os pesquisadores avisaram ao mundo que um iceberg gigante, de 5 800 quilômetros quadrados, 190 metros de espessura e 1 trilhão de toneladas, tinha se desprendido da Larsen C. A área do colossal bloco de gelo era maior que a do Distrito Federal e equivalente a quatro vezes o tamanho do município de São Paulo.

A notícia fez vir à tona uma série de teorias apocalípticas. Ambientalistas defenderam que a culpa de o iceberg estar à deriva era do aquecimento global, cujo responsável seria o homem, ou, melhor ainda, certos venenos da civilização moderna, como os gases de efeito estufa, atualmente em níveis bastante elevados. Alguns climatologistas chegaram a afirmar que, por suas dimensões, o bloco flutuante levaria ao aumento do nível dos mares, modificando as configurações do continente antártico.

Os cientistas, contudo, concluíram que o fenômeno não poderia ser creditado na conta dos desastres provocados pelas mudanças climáticas. O iceberg teria se soltado da Larsen C para navegar pelos mares por motivos naturais — ainda não bem compreendidos. O fato é que nada de muito significativo foi notado após o desprendimento do superbloco de gelo. O episódio todo, porém, deixou uma certeza: embora se saiba muito, muito ainda falta para conhecer dos caprichos da natureza.

 

Publicado em VEJA de 27 de dezembro de 2017, edição nº 2562

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