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Toni Morrison: a pérola negra da literatura

A escritora morreu na segunda-­feira 5, aos 88 anos, em Nova York, das complicações de uma pneumonia

Por Da Redação - Atualizado em 12 ago 2019, 10h33 - Publicado em 9 ago 2019, 07h00

“Eu não sou uma vítima. Me recuso a ser uma”, disse Toni Morrison em 1993, ano em que foi premiada com o Nobel de Literatura, tornando-­se a primeira e a única mulher negra a conquistar a honraria. A declaração está em sintonia com a temática que ela explorou na literatura. Em seus livros, Toni escancara as cicatrizes deixadas pela escravidão e a discriminação racial nos Estados Unidos. Para ela, o racismo nunca foi “mimimi”: o retrato histórico de seu povo, esquecido pelo mercado editorial, precisava ser contado sob o ponto de vista de seus descendentes.

Filha de um operário e de uma dona de casa, Toni foi do trabalho como empregada doméstica à formação em filologia e ao cargo de editora da Random House — onde publicou pensadores e autores afro-americanos, entre eles Angela Davis e o pugilista Muhammad Ali. Seu livro de estreia só saiu quando a autora tinha 39 anos: O Olho Mais Azul (1970), sobre uma criança que almeja ser branca de olhos claros — crítica aos padrões de beleza disseminados pelos sucessos de Hollywood na década de 40. O status de celebridade veio com a popular trilogia iniciada com Amada (1987), livro vencedor do Pulitzer, seguido por Jazz (1992) e Paraíso (1997). O primeiro destrincha a vida de uma escrava depois da fuga do cativeiro (trama que ganhou a adaptação cinematográfica Bem-Amada, de 1998, estrelada por Oprah Winfrey). O segundo bebe das idiossincrasias do Harlem, bairro majoritariamente negro em Nova York, nos anos 1920. E o livro que completa a trilogia fala de uma cidade fictícia habitada apenas por negros que se desestabiliza com a chegada de uma branca. Ela morreu na segunda-­feira 5, aos 88 anos, em Nova York, das complicações de uma pneumonia.


O cineasta do real

DESBRAVADOR – D.A. Pennebaker: o homem que mudou os documentários Kathy Willens/AP/AP

D.A. Pennebaker mal conhecia as canções de Bob Dylan quando, em 1965, foi contratado para filmar uma turnê britânica do artista. A parceria rendeu um documentário antológico, Don’t Look Back, no qual o cineasta registra cenas da intimidade de Dylan, das brigas com jornalistas a uma grosseria com Joan Baez, sua parceira de palco. Ele daria início a um novo tipo de documentário, o cinema verité (cinema real, em português), revolucionando o gênero. Além das câmeras fixas, Pennebaker utilizou aparelhagem portátil para seguir Dylan e captar suas reações com mais fidelidade. Documentou, ainda, o Festival de Monterey (1967) e as campanhas presidenciais de John Kennedy e Bill Clinton. Em 2012, ganhou um Oscar por sua contribuição ao cinema. Morreu na quinta-feira 1º, aos 94 anos, de causas naturais, em Sag Harbor, Nova York.

NEGADA: pelo Supremo Tribunal Federal a extradição do empresário turco Ali Sipahi, de 31 anos, solicitada pelo governo da Turquia. Dono de um restaurante, Sipahi vive em São Paulo há doze anos. Ele é acusado de ter cometido crimes em nome da Hizmet — movimento de oposição que o presidente Recep Tayyip Erdogan considera terrorista —, ainda que não existam delitos comprovados do acusado. Dia 6, em Brasília, em decisão unânime da Segunda Turma do STF.

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Publicado em VEJA de 14 de agosto de 2019, edição nº 2647

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