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Tique, taque

O ex-governador tenta último recurso, mas já admite sua aflição diante da perspectiva de prisão

Por Eduardo Gonçalves - 4 maio 2018, 06h00

O tempo está se esgotando para o tucano Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais. Na segunda-feira 30, sua defesa entrou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) com pedido de embargos de declaração, o último recurso capaz de garantir-lhe mais alguns dias longe das grades. Uma semana antes, o tribunal havia confirmado a condenação de Azeredo a vinte anos de prisão por peculato e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão tucano. Na prática, os embargos de declaração não têm poder para reverter uma condenação — visam apenas a esclarecer pontos da sentença que a defesa considera obscuros. O ex-governador, portanto, deve ser preso logo após o julgamento desses embargos, ainda sem data marcada.

Será a quebra de um paradigma: o primeiro tucano a ir para a cadeia. Até agora, entre os políticos que foram detidos na Lava-Jato e no mensalão estão catorze do PT, oito do MDB, dois do PP — e nenhum do PSDB. O único preso ligado ao partido é o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, apontado como o sujeito que operou mais de uma centena de milhões de reais em propina para as campanhas de José Serra e Aloysio Nunes.

Enquanto os processos da Lava-Jato vêm tendo tramitação razoavelmente célere, tal como ocorreu com as ações do mensalão, o caso de Azeredo obedece ao velho padrão da Justiça morosa. O desvio de recursos públicos de estatais mineiras para sua campanha se deu em 1998. Nesses vinte anos, o processo andou no ritmo da impunidade. Em 2014, num lance para adiá-lo ainda mais, Azeredo renunciou ao mandato de deputado, o que forçou o processo, então no STF, a voltar à primeira instância, em Minas. Mas, no ano seguinte, o tucano recebeu sua primeira condenação. Daí em diante, já com o país sob o clima da Lava-Jato, seu processo andou. Na sexta-feira 27, em entrevista a uma rádio, Azeredo admitiu sentir-se “aflito” com a possibilidade de prisão: “Não estou preparado”.

Publicado em VEJA de 9 de maio de 2018, edição nº 2581

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