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Paraíso ameaçado

Conhecido por ser uma potência moral e um exemplo do Estado de bem-estar, o país nórdico chega às eleições imerso na xenofobia da extrema direita

Por Thais Navarro 7 set 2018, 07h00

O partido dos Democratas Suecos poderá conquistar uma vitória histórica nas eleições parlamentares do domingo 9. A sigla tem 25% das intenções de voto. Está ligeiramente à frente do segundo colocado, o tradicional Social-Democrata, que, com 24%, pode obter o pior resultado desde 1911. Apesar da semelhança nos nomes, as agremiações se situam em polos opostos. Os social-democratas têm sido os principais promotores do Estado de bem-­estar social e criaram o conceito de “casa do povo”, em que o país é visto como uma família e cada cidadão deve zelar pelo outro. Os democratas suecos, por sua vez, têm raízes neonazistas e cresceram eleitoralmente explorando o medo aos refugiados. Paradoxalmente, Jimmie Akesson, o líder do partido, já disse que o islamismo é o nazismo e o comunismo da nossa era.

A Suécia foi o país europeu que proporcionalmente mais acolheu refugiados desde o auge da crise, em 2015. Para os democratas suecos da direita radical, o fluxo deteriorou a qualidade dos serviços públicos. “Com certeza houve uma pressão nesses serviços, porém a Suécia conseguiu expandi-los e administra bem o problema. Somos um país rico”, diz o sueco Erik Berggren, da Universidade Linköping. Prevê-se para este ano um crescimento de 3,3%, e a taxa de desemprego é baixa: 6%. O problema é que a criminalidade nos subúrbios povoados por imigrantes tem saltado aos olhos. Em agosto, gangues de mascarados atearam fogo a mais de 100 carros em um bairro de Gotemburgo. “Casos assim ganham muito espaço na mídia nacional, mas a maioria da população nem sequer é afetada”, afirma o sueco Lars Tragardh, da Universidade Ersta Sköndal Bräcke, em Estocolmo. Se os democratas suecos vencerem o pleito, nem tudo estará perdido. Os demais partidos podem unir-se para impedi-­los de governar.

Publicado em VEJA de 12 de setembro de 2018, edição nº 2599


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