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O heroico papel de civilizador

Morre, aos 97 anos, o editor, ensaísta e tradutor Jacó Guinsburg

Os meios acadêmicos costumam se referir aos intelectuais judeus europeus que vieram para o Brasil a fim de escapar do antissemitismo — notadamente a trinca formada pelo alemão Anatol Rosenfeld (1912-1973), pelo austríaco Otto Maria Carpeaux (1900-1978) e pelo húngaro Paulo Rónai (1907-1992) — como “heróis civilizadores”. Sempre que se quiser voltar a esse capítulo fundamental da história da cultura brasileira, será preciso acrescentar mais um “herói”: Jacó Guinsburg. Ensaísta, crítico, professor, tradutor e escritor, Guinsburg — que nasceu na Bessarábia (a atual Moldávia) e desembarcou aqui aos 3 anos — notabilizou-se sobretudo como editor, ao fundar, em 1965, a Editora Perspectiva, uma referência indisputável na área das humanidades. Em seu extraordinário catálogo, iniciado com uma coleção voltada para a cultura judaica, figuram nomes como Umberto Eco e Octavio Paz — publicados pela primeira vez no país por Guinsburg, muito antes de o italiano escrever O Nome da Rosa e de o mexicano conquistar o Nobel —, Jacques Lacan, Platão, Le Corbusier e tantos outros monumentos desse porte, para não falar de brasileiros como Antonio Candido.

Por influência de um professor trotskista, Guinsburg cedo se identificou com ideias de esquerda. Na adolescência, frequentou o clube judeu Cultura e Progresso (depois Casa do Povo), no bairro paulistano do Bom Retiro. Lá passou a se interessar pela arte teatral, na qual se especializaria e da qual se tornaria professor na USP por indicação de Rosenfeld, a quem abrira as portas de casa para que desse aulas de filosofia. Em sua primeira editora, a Rampa, inaugurada em 1947, lançou no Brasil o futuro Nobel Isaac B. Singer. Após trabalhar na editora Difel e estudar na França, Guinsburg criou a Perspectiva, que comandou ao lado da mulher, Gita. Morreu no domingo 21, aos 97 anos, em São Paulo, de insuficiência renal.


Jornalismo político

Para além do texto elegante, foram as análises precisas e o equilíbrio ao tratar da política e dos políticos que deram respeitabilidade à atuação do paraense Raymundo Costa. Nascido em Belém e radicado em Brasília havia mais de três décadas, Costa trabalhou em VEJA e passou também pelos jornais O Estado de S. Paulo, O Globo e Folha de S.Paulo. Desde 2005 era repórter especial e colunista do Valor Econômico. Lutava contra um câncer de pulmão desde 2016. Morreu na terça 23, aos 66 anos, em Brasília, devido a uma septicemia.


Negócios na moda

GRIFE – Gilberto Benetton criou com os irmãos a marca com seu sobrenome

GRIFE – Gilberto Benetton criou com os irmãos a marca com seu sobrenome (Photo-Talk/REX/Shutterstock)

Os suéteres de tonalidades vibrantes da grife italiana United Colors of Benetton eram mania nas décadas de 80 e 90. A marca, criada em 1965 pelos irmãos Benetton — Giuliana, Luciano, Carlo e Gilberto —, expandiu-se pelo mundo. Mas, após uma série de propagandas polêmicas, entrou em crise. Um dos anúncios, de 2011, exibia uma montagem do então papa Bento XVI beijando o imã egípcio Ahmed el-­Tayeb. Os prejuízos superaram os 80 milhões de euros anuais. Fundada por Gilberto em 2009, a empresa Edizione, voltada para áreas como transporte e agricultura, é que tem mantido a fortuna da família. Gilberto morreu na segunda-feira 22, aos 77 anos, em decorrência de uma pneumonia.

Publicado em VEJA de 31 de outubro de 2018, edição nº 2606