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Índice Trump de país de marmelada

Uma volta pelo Brasil — a nação e a deputada — em algumas notícias

“Nascer inglês é ganhar o primeiro prêmio na loteria da vida”, dizia Cecil Rhodes, o magnata dos diamantes e o mais clássico dos imperialistas do século XIX. Estátuas dele andam sendo derrubadas, mas ninguém está devolvendo o dinheiro que deixou para bancar famosos bolsistas (mais sobre ele no final). Nem em enredos de escolas de samba alguém diria isso, hoje, sobre o país das maravilhas. Ainda não caímos para o terceiro grupo, também chamado de países de marmelada, na versão publicável, por Donald Trump, mas parece que nos aproximamos perigosamente do vórtice.

Por que não conseguimos tirar o pé da marmelada? Uma seleção de notícias sintetizadas que saíram em sites e jornais na semana passada exemplifica algumas das pragas dos países fracassados. Insegurança pública, desconfiança social, deterioração institucional e perpetuação da mais perversa versão da lei de ferro da oligarquia estão entre elas. A viagem ruim:

“Senhor ladrão, sou professor pobre igual aos outros, endividado, e compro tudo parcelado. Tenho três filhos e estou até vendendo rifa pra comprar uma bateria pra minha filha continuar ouvindo. Não tenho dinheiro pra comprar o que o senhor me roubou. Se puder, devolva pelo menos o meu pen drive velho e minha centrífuga. Meus filhos, que choraram, agradecem”, cartaz deixado por Marivaldo de Paula Silva na frente de sua casa, em Rio Branco. A filha do professor usa implante coclear e precisa de bateria para ouvir.

“Não vamos desistir da indicação, tem que levar até o fim. Minha filha não vai sair de bandida”, Roberto Jefferson, presidente do PTB. A filha dele está sendo investigada por suspeita de associação ao tráfico e precisa ser ministra para man­ter o legado da família.

“Foi preso o último envolvido na morte da esportista britânica Emma Kelty, de 43 anos, assassinada quando fazia uma expedição de caiaque pelo Rio Amazonas, em 2017. A britânica foi atingida por tiros de espingarda calibre 20, com cano serrado, teve a cabeça cortada e o corpo jogado no Rio Solimões.”

“O fato é que a Infraero tem um criminoso no comando da estatal, devidamente denunciado pelo presidente da Anei ao ministro Maurício Quintella Lessa”, comentário da associação de funcionários da empresa sobre Antônio Claret, cujo padrão de voo desafia a lei dos grandes números: das 65 viagens a trabalho que fez, 57 foram para sua cidade, Belo Horizonte.

“Uma criança de 3 anos morreu baleada em uma tentativa de assalto por criminosos em Anchieta, na Zona Norte do Rio. O pai e a mãe foram baleados e levados para o hospital. Os criminosos cercaram o carro e atiraram na família.”

“ ‘Pô, tu é minha mãe. Se tu não votar nela, eu perco o emprego.’ Olha que poder de convencimento essa frase tem! Pro meu marido: ‘Meu querido, vai querer pagar minhas calcinhas? Então me ajude!’. Se amanhã vocês ficarem desempregados, como é que vai ser a vida de vocês?”, Cristiane Brasil, em gravação durante campanha da deputada federal, falando a servidores públicos.

Cecil Rhodes, que virou nome de país, Rodésia, hoje Zimbábue, deixou a maior parte de sua fortuna feita na África — 3 milhões de libras, um espanto na época — para Oxford. Os ganhadores da bolsa com seu nome vão de Bill Clinton a Rachel Maddow, apresentadora americana. Como já existe um país com o nome da deputada, o risco é que seja renomeado Marmelândia.

Publicado em VEJA de 14 de fevereiro de 2018, edição nº 2569

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