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Hans Donner: O problema é o progresso

Homem das vinhetas da Globo, o designer alemão explica por que deseja mudar o desenho e os dizeres da bandeira do Brasil

Por Bruno Meier 17 nov 2017, 06h00

Por que o senhor quer mudar a bandeira? Nunca entendi a faixa branca inclinada para baixo. Piora quando dentro dela está escrito “progresso”. A simbologia tem um poder monumental e inimaginável. Dei chance para o Brasil acordar.

O problema então é o “progresso” que despenca? Claro. Como pode o nosso Brasil ter uma bandeira com o “progresso” enfiado na lama? Consegue imaginar como fica o sentimento de autoestima olhando para a bandeira atual? Imagina você na escola, todo dia — e antes nas escolas hasteava-se a bandeira e cantava-se o Hino Nacional —, olhando para ela?

Vale mexer em símbolo nacional consagrado? Há dois meses, assisti a um programa no History Channel e veio a pergunta: sabe quantas vezes se alterou a bandeira dos Estados Unidos desde a criação da Betsy Ross (autora da primeira bandeira)? Vinte e seis vezes. Mas aí me criticam: “Esse louco gringo se acha no direito de mexer na bandeira?”.

Por que o senhor propõe acrescentar a palavra “amor”? Estava sentado na minha sala, olhando para o Cristo Redentor, e pensei: “Vou desenhar uma bandeira. Por que não usar a parte central do Cristo, o coração?”. Puxa vida, se o Cristo tem um coração, e ele representa amor, por que eu não escrevo amor?

Esperava reações contrárias? Eduardo Giannetti me defendeu e disse que o Brasil ainda tem de merecer essa bandeira. O Brasil está despencando. Meus filhos, quando tinham 5 e 6 anos, já falavam isso ao ver bandeiras nas ruas. Sou apaixonado pelo país. Sabe o que eu fazia quando tinha 10 anos na Áustria? Eu pagava ingresso para assistir à televisão na arquibancada de um galpão só para ver Pelé, Garrincha e Didi. Minha paixão pelo Brasil começou ali. Nunca pensei que eu teria a melhor oportunidade profissional aqui, nem que me casaria com uma mulher que é a cor do Brasil (a modelo Valeria Valenssa, ex-Globeleza).

O senhor criou o logotipo da Globo e foi responsável pelas vinhetas durante décadas. Qual a sua missão hoje na emissora? Boni dizia: a Globo tinha um corpo forte, mas não havia cara. Eu criei a cara da Globo. Hoje, minha missão é descobrir o futuro. Sou um cara antenado e estou com as antenas abertas.

Publicado em VEJA de 22 de novembro de 2017, edição nº 2557

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