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Ele vale tudo isso, sim

Resultado de um mercado inflacionado, venda de Philippe Coutinho ao Barcelona, a segunda mais cara da história, é considerada normal pelos especialistas

Por Alexandre Senechal Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 17h40 - Publicado em 12 jan 2018, 06h00

Quando Neymar decidiu transferir-se do Barcelona para o Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros, o maior valor já pago por um jogador de futebol, o português José Mourinho, técnico do inglês Manchester United, anteviu um problema logo ali na esquina: a inflação de contratos, a explosão de quantias quase inimagináveis pagas a atletas talentosos ou não. Para Mourinho, haveria futebolistas “sendo negociados por 70, 90, 110 milhões de euros”. No sábado 6, cumpriu-se o vaticínio com o anúncio da venda do meia­-atacante Philippe Coutinho, do Liverpool, ao Barcelona por 120 milhões de euros, a segunda maior cifra de todos os tempos. Para contar, pelos próximos cinco anos, com o carioca de 25 anos, formado nas categorias de base do Vasco da Gama, o Barcelona pode desembolsar ainda outros 40 milhões (totalizando 160 milhões de euros), caso Coutinho alcance metas esportivas estipuladas em contrato, como títulos relevantes e outras conquistas pessoais. Como comparação, o valor final da negociação de Coutinho é maior que o faturamento bruto do Palmeiras (506 milhões de reais), o clube brasileiro com a maior arrecadação em 2016.

Mas, afinal, ele vale mesmo tudo isso? Sim, apesar da impressão de exagero. Coutinho é titular da seleção brasileira e tem presença garantida na Copa do Mundo da Rússia, no meio do ano. Habilidoso na criação de jogadas e ótimo finalizador, o brasileiro foi destaque do Liverpool nas últimas duas temporadas e chega ao Barcelona com a expectativa, a longo prazo, de substituir o meia Andrés Iniesta, um dos mais talentosos jogadores que passaram pelo clube catalão, herói do título mundial da Espanha em 2010.

Na geopolítica da bola, o Barcelona precisava dar uma demonstração de força depois de perder Neymar para o nouveau riche de Paris. Claro, o time espanhol ainda tem de colher bons resultados dentro de campo — e, se isso acontecer, seu investimento em Coutinho será recompensado de forma quase imediata. Há várias maneiras de aferir esse retorno, inclusive no Brasil. Segundo levantamento do instituto de pesquisas Ibope Repucom, logo depois da contratação de Neymar, o Paris Saint-Germain assumiu o primeiro lugar como clube mais relevante em conteúdo na internet brasileira. Com a ida de Coutinho para a Espanha, os números já se equilibraram, antes mesmo de ele entrar em campo. “Uma análise preliminar mostra que a procura pelo Barcelona nos sites do Brasil cresceu 20% em uma semana”, diz José Colagrossi, do Ibope Repucom. É provável que esse mesmo interesse se dê mundo afora.

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Há outro modo de constatar que o negócio com o brasileiro não é absurdo. O braço esportivo da consultoria KPMG monitora as contratações mais caras nos últimos dez anos e as compara ao faturamento dos times. A média de gastos é de 23% da receita por jogador. No caso de Coutinho, os 120 milhões de euros equivalem a 17% do faturamento do Barcelona na última temporada. Ou seja, é um movimento dentro da normalidade estatística. Neymar produziu ondas mais encrespadas. O valor pago pelo PSG para contar com o camisa 10 da seleção superou os 42% em relação aos ganhos registrados no balanço do clube. Há uma explicação: Neymar tirou proveito do mecenato do xeque do Catar que comprou o clube parisiense. Diz Cesar Grafietti, superintendente de Crédito do Itaú BBA, ala do banco que faz balanços referentes ao universo do futebol: “Os valores vinham subindo, mas apenas dois ou três clubes conseguiam pagar 90 milhões de euros por um jogador. Com os clubes apoiados por mecenas, como o Manchester City e o PSG, um novo volume de dinheiro ingressou nesse mercado”. E onde tem mais dinheiro a tendência é uma só: negócios cada vez mais polpudos.

Publicado em VEJA de 17 de janeiro de 2018, edição nº 2565

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