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Caviar, vodca e jogos de guerra

O encontro entre Vladimir Putin e Xi Jinping se deu no Fórum Econômico do Leste, feito para estimular os negócios com a Rússia

Conhecida pelos adeptos de um jogo de tabuleiro que simula a conquista armada do mundo, a cidade portuária russa de Vladivostok, quase na fronteira com a China, esteve no núcleo da disputa geopolítica na semana passada. Na terça-feira 11 de setembro — dia em que os americanos relembram as vítimas do ataque terrorista de 2001 —, o presidente russo Vladimir Putin e o chinês Xi Jinping cozinharam panquecas russas, conhecidas como blinis. Vestindo avental azul com a marca Russian Fish (“peixe russo”, em inglês), eles cobriram as massas com caviar vermelho e negro (mais caro), dobraram uma trouxinha e saborearam a iguaria, acompanhados de um brinde com vodca. O encontro se deu no Fórum Econômico do Leste, feito para estimular os negócios com a Rússia. Xi viajou com quase 1 000 empresários e comunistas chineses. Naquele mesmo dia, a Rússia iniciou sua maior manobra militar desde 1981, quando a União Soviética ainda estava de pé. O exercício Vostok-2018 (a palavra significa “leste”, em russo) contou com 300 000 soldados russos e, pela primeira vez, 3 200 chineses. Em comum, os dois países têm mantido uma relação conflituosa com os Estados Unidos. A China é vítima de uma guerra comercial. A Rússia, das sanções econômicas em represália à invasão da Crimeia, na Ucrânia. “Ambas as nações se opõem ao unilateralismo e ao protecionismo comercial, e querem construir um novo tipo de relações internacionais baseado num destino humano comum”, disse Xi a Putin. Foi uma indireta para um apreciador de cachorro-quente e do Twitter do outro lado do tabuleiro.

Publicado em VEJA de 19 de setembro de 2018, edição nº 2600