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Vaccari levava pedidos das empreiteiras a diretor da Petrobras

Em novo depoimento, delator Pedro Barusco detalhou encontros em que tesoureiro petista trazia para Renato Duque 'reivindicações' das empresas que faziam doações para o partido

O tesoureiro do PT João Vaccari Neto discutia pessoalmente com dirigentes da Petrobras reivindicações de empreiteiras que doavam para o partido, segundo o ex-gerente de Engenharia da estatal Pedro Barusco. Em novos depoimentos prestados nos dias 9 e 12 de março, no âmbito de sua delação premiada na Operação Lava Jato, Barusco também afirmou que Vaccari negociava diretamente com as empresas o porcentual de propina a ser repassado para o PT.

Segundo o delator, Vaccari se reunia uma vez por mês com o então diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e com o próprio Pedro Barusco em hotéis de luxo no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nesses encontros, o grupo discutia as divisões da propina e também tratava do “andamento de alguns projetos e contratos, em relação aos quais Vaccari tinha interesses em ter conhecimento”, detalhou Barusco.

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O delator, que era braço-direito de Duque, afirmou que “Vaccari formulava algumas reivindicações em nome de empresas, por exemplo, para ver se era possível resolver algum problema, envolvendo licitações, celebrações de aditivos, inclusão de empresas na lista de empresas cadastradas, ou mesmo problemas técnicos”. O ex-gerente de Engenharia disse que as solicitações eram “atendidas dentro do possível, no limite dos procedimentos e requisitos técnicos das Petrobras”.

Propina – Barusco também relatou que Vaccari negociou diretamente com representantes da empreiteira OAS repasses de propina ao PT pelas obras do Gasoduto Pilar-Ipojuca, na Bahia. Segundo o delator, a propina paga pela empresa para a Diretoria de Serviços, então sob comando de Duque, chegou a 11,39 milhões de reais, com metade do montante ficando com o PT e a outra metade distribuída entre Duque, Barusco e o operador do esquema Mário Góes.

Nesta segunda-feira, o juiz federal Sergio Moro aceitou denúncia contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção – Duque também responderá por formação de quadrilha. Para o magistrado, há indícios de que o tesoureiro petista participava ativamente do esquema criminoso.

Em sua decisão, Moro defendeu que há indícios de que o tesoureiro petista participava ativamente do esquema criminoso. “As afirmações do MP no sentido de que João Vaccari tinha conhecimento do esquema criminoso e dele participava têm amparo pelo menos nas declarações diretas de Pedro Barusco e de outro acusado em processo conexo, Eduardo Hermelino Leite, dirigente da Camargo Corrêa, o que é suficiente, aliado à prova documental das doações eleitorais, para o recebimento da denúncia.”

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende Vaccari, afirma que o tesoureiro do PT arrecada exclusivamente doações lícitas, todas declaradas à Justiça eleitoral. D’Urso repudia as delações premiadas que apontam para Vaccari. Segundo o criminalista, os delatores “faltam com a verdade”. A OAS nega a prática de cartel na Petrobras e afirma que não pagou propinas para o tesoureiro do PT. A Secretaria de Finanças do PT nega que Vaccari tenha participado de esquema para recebimento de propina ou de recursos de origem ilegal destinados ao partido.

(Com Estadão Conteúdo)