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Só 5% das urnas terão voto impresso em 2018, diz Gilmar

Projeto proposto por Jair Bolsonaro e aprovado pelo Congresso em 2015 previa que adoção do novo modelo fosse integral no pleito do ano que vem

Contrariando o projeto aprovado pelo Congresso Nacional em 2015, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confirmou nesta sexta-feira que não haverá a adoção do voto impresso de forma integral nas eleições de 2018. Questionado sobre a informação antecipada pela jornalista Mônica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo, Mendes confirmou a impressão em apenas 30 000 urnas.

Na prática, o número representa apenas 5% das 600 000 urnas eletrônicas que serão utilizadas em 2018. “Estamos estimando em torno disso”, afirmou o presidente do TSE. Sobre a meta estabelecida pelo projeto do Congresso, Gilmar Mendes argumenta que é inalcançável para o ano que vem: “Não temos condições nem recursos”. “Vamos comunicar o Congresso”, concluiu.

Apresentada pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato à Presidência da República que, por vezes, questiona a inviolabilidade das urnas eletrônicas, a proposta fez parte da minirreforma eleitoral em 2015. Chegou a ser vetada pela então presidente Dilma Rousseff (PT), que alegou o alto custo — na ocasião estimado em 1,8 bilhão de reais —, mas foi confirmada pelos deputados.

Em nenhum momento, pela norma, o eleitor terá contato com seu voto impresso. Após a escolha de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente, quem votar em uma das novas urnas verá a impressão de um bilhete, automaticamente depositado em uma urna física para eventual auditoria posterior das eleições.

‘Fase das cavernas’

Na Justiça Eleitoral, o voto impresso, além de carro, vem sendo classificado como um retrocesso para o país. Em julho, o ministro Tarcísio Vieira, do TSE, criticou os gastos decorrentes da medida em um momento de crise econômica. “O país, destroçado economicamente, agora fica desperdiçando dinheiro com isso? É voltar para a fase das cavernas do ponto de vista eleitoral.”

A volta do voto físico já foi testada em 2002, quando todas as seções eleitorais do Distrito Federal e de Sergipe tiveram a impressão. Relatório do Tribunal concluiu que a experiência “demonstrou vários inconvenientes”, “nada agregou em termos de segurança ou transparência” e criou mais problemas. O TSE apontou que nas seções com voto impresso foram observados filas maiores e um maior porcentual de urnas com defeito.

(Com Agência Brasil)