Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Sistema Cantareira pode adiantar uso do volume morto

Colapso do sistema deve acontecer em junho. Ampliação do desconto de 30% nas contas pode custar R$ 800 milhões de reais à Sabesp

Por Da Redação - 2 abr 2014, 11h56

O comitê anticrise responsável por monitorar o Sistema Cantareira alertou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que a utilização do chamado volume morto pode ser necessária antes do previsto nas Represas Jaguari e Jacareí, que ficam entre as cidades de Bragança Paulista e Joanópolis, no interior paulista, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo.

O alerta se deve ao fato de que os dois reservatórios (considerados o coração do Cantareira por armazenarem 82% da água do manancial) estão com apenas 6% da capacidade, bem abaixo dos 13,3% de todo o sistema, que é formado por outras três represas: Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro.

Segundo estimativa do comitê, o volume útil do sistema, que ontem estava com 130,6 bilhões de litros, deve acabar em meados de julho – estimativa que inicialmente previa seca para agosto. Em contrapartida, a Sabesp já conta com o esgotamento do sistema em 21 de junho. Segundo a empresa, as obras para captar 200 bilhões de litros do volume morto, que fica abaixo do nível das comportas, devem ser concluídas a tempo. Além das Represas Jaguari e Jacareí, a captação será realizada na Atibainha.

Leia também:

Publicidade

São Paulo e a ameaça de racionamento na Copa

Mesmo com desconto, 24% aumentam consumo de água

Medidas e custos – Além da utilização do volume morto, uma outra medida que está sendo adotada para tentar evitar o racionamento é o desconto de 30% na conta de quem reduzir o consumo em pelo menos 20%. Anteriormente, apenas onze cidades contavam com o bônus. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou nesta semana a ampliação do bônus para os 31 municípios do Estado, equivalente a cerca de dezessete milhões de clientes.

Este recurso, no entanto, irá custar 800 milhões de reais para a Sabesp, segundo Alckmin. “O valor vai depender de até quando vai o programa de bonificação. Então, se você imaginar que vai até o fim do ano, pode ficar em torno de 800 milhões de reais. Mas isso só é possível saber de acordo com o período que o bônus ocorrerá”, disse o governador durante vistoria às obras do Metrô, na Zona Sul da capital. Após isso, informou que o plano terá validade até dezembro deste ano.

Publicidade

Segundo Alckmin, o impacto do desconto não prejudicará necessariamente os investimentos da Sabesp. Quanto a isso, a empresa informou que ainda está “em processo de análise e revisão” do orçamento, mas que “não haverá nenhum cancelamento de obras”. “De imediato, apenas e tão somente, será feito o alongamento de alguns cronogramas.”

Na segunda-feira, o diretor de Finanças e de Relações com Investidores da empresa, Rui Affonso, disse que cortaria 700 milhões de reais das despesas previstas para 2014 por causa da crise.

O prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), afirmou que as administrações da Grande São Paulo vão se reunir com Alckmin nesta quinzena para discutir a crise de estiagem. “Acho que a primeira providência é fazer uma grande reunião para que a Sabesp apresente seu plano de contingência, para que nós possamos ajudar na medida das nossas possibilidades o governo do Estado a gerenciar essa crise de água”, disse Haddad.

Publicidade