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Serra recua e fica com conselho político

Ex-governador pleiteava presidência do Instituto Teotônio Vilela; grupo de Aécio Neves assegura mais espaço na nova executiva

O ex-governador José Serra comandará o conselho político do PSDB. Os tucanos bateram o martelo somente no início da tarde deste sábado, após várias reuniões, em São Paulo e em Brasília – uma delas nesta manhã, na capital federal, quando a convenção para a escolha da executiva nacional do partido já estava em curso. Serra pleiteava a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), mas foi vetado pela bancada do PSDB no Senado, que apoiou o ex-senador Tasso Jereissati. Após longa negociação, aceitou a presidência do conselho político.

Ainda não se sabe qual será o peso do conselho, que deve ser criado oficialmente esta semana. A promessa é que seja uma instância consultiva da executiva tucana – uma espécie de ante-sala, onde seriam discutidas – de forma direta – as divergências internas. Do grupo farão parte, além de Serra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, o governador Geraldo Alckmin, o senador Aécio Neves e o governador Marconi Perillo. A novidade acomoda tucanos de todas as plumagens e traz esperança de tempos de menos brigas internas.

A intenção inicial era dar o comando a Fernando Henrique. Diante da resistência de Serra, a presidência foi ofertada a ele. Para alguns tucanos, isso acaba desvirtuando o conceito de neturalidade inicialmente previsto. Na véspera da convenção, o ex-governador pediu detalhes sobre as atribuições do conselho antes de aceitar.

Executiva – Durante a convenção, o conselho e a executiva foram aprovados por aclamação. Como era esperado, o atual presidente, Sérgio Guerra, foi reconduzido ao posto. FHC é o presidente de honra; Alberto Goldman, o primeiro vice-presidente; o deputado federal Rodrigo de Castro (MG) permanece na secretaria-geral e Jereissati fica com a presidência do ITV. O ex-senador foi aclamado por partidários. O placar: 277 votos sim, sete votos não e seis abstenções.

O resultado assegura mais espaço ao grupo de Aécio – supremacia já esperada. Tanto é que Rodrigo de Castro, ligado a ele, foi mantido. O grupo do PSDB de São Paulo, comandado por Serra, queria Goldman neste posto, mas acabou cedendo.

Guerra – Nas últimas semanas, a disputa por cargos no comando do PSDB provocou uma guerra os dois grupos, deflagrada pela insistência de Serra em ocupar a presidência do ITV. Em outro pleito, os paulistas cederam sem muita dificuldade: trocaram a secretaria-geral pela primeira vice-presidência e lá acomodaram Alberto Goldman. O grupo de Aécio sustenta que Serra minaria a unidade do partido no ITV.

O resultado da convenção deste sábado terá reflexo sobretudo nas eleições municipais de 2012. A executiva escolhida agora dirigirá o PSDB até 2013. A direção tem pela frente o desafio de fortalecer o partido nos municípios, para garantir no ano que vem a eleição do máximo de prefeitos possível. O volume de prefeitos, por sua vez, tornará mais fáceis as disputas estaduais e presidencial em 2014. Nas eleições de 2010, Serra perdeu principalmente pela falta de bases regionais do PSDB.

A reunião marca também o esforço do maior partido de oposição do Brasil em achar um discurso unificado para fiscalizar e cobrar o governo federal, do PT. Os discursos preparados pelas lideranças estão recheados de referências à primeira crise ética do governo Dilma Rousseff, por conta do misterioso enriquecimento do ministro Antonio Palocci, e à dificuldade do governo em domar a inflação.