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Renan teme crescimento de ‘rivais’ em Alagoas

Alvo de 12 processos no Supremo Tribunal Federal (STF), o peemedebista precisa se reeleger senador em 2018 para manter o foro privilegiado

Por Da redação - 6 jan 2017, 09h43

A menos de um mês de deixar a presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) demonstra preocupação a aliados e integrantes do governo Temer com a articulação de ministros de Alagoas para disputar uma vaga de senador em 2018, quando o peemedebista pretende se reeleger.

Segundo interlocutores, Renan teme que o uso da máquina do governo por esses ministros em benefício do Estado fortaleça a candidatura deles ao Senado e ameace sua reeleição, quando duas vagas por Alagoas estarão em disputa. Alvo de 12 processos no Supremo Tribunal Federal (STF), o peemedebista precisa se reeleger senador para manter o foro privilegiado.

A principal preocupação de Renan é com o ministro dos Transportes, o deputado licenciado Maurício Quintella (PR-AL). Em Alagoas, o ministro integra o grupo político adversário do presidente do Senado. O grupo é liderado pelo prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), e pelo senador Benedito Lira (PP), cujo mandato também termina em 2018.

Desde que assumiu a pasta, em maio, Quintella vem anunciando seguidos pacotes de obras em Alagoas. Entre elas, a duplicação de trecho da BR-301 no Estado e a pavimentação de área sem asfalto da BR-316, além de investimentos de cerca de 100 milhões de reais para dragagem e melhorias no terminal de passageiros do Porto de Maceió.

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Renan já reclamou de Quintella tanto com integrantes da cúpula do PR quanto com o presidente Michel Temer. O presidente do Senado cobra que o governo faça o ministro desistir da candidatura.

Outra preocupação de Renan é com o ministro do Turismo, o deputado licenciado Marx Beltrão (PMDB-AL), indicado pela bancada peemedebista da Câmara e que contou com a chancela do presidente do Senado. Beltrão já afirmou a vários colegas do PMDB e de outros partidos que está articulando sua candidatura a senador em 2018.

O Ministério do Turismo também vem reforçando investimentos em Alagoas. De acordo com a pasta, foram concluídas dez obras de infraestrutura turística no Estado em 2016, totalizando aplicações de 28,7 milhões de reais, com contrapartida de 3,1 milhões de reais dos governo estadual e municipais.

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Aliados de Renan consideram, porém, que o caso de Beltrão preocupa menos o presidente do Senado. Lembram que o ministro e o pai dele, o deputado estadual João Beltrão (PRTB-AL), são do mesmo grupo político de Renan e que, por isso, uma candidatura do ministro pelo PMDB só deslancharia com o aval do senador peemedebista, que comanda o partido em Alagoas.

Procurados, os dois ministros de Alagoas não atenderam às ligações nem responderam as mensagens enviadas. Já Renan negou que esteja incomodado. “Muito pelo contrário. Tenho com o Maurício e com o Marx a melhor relação. A eleição de 2018 está muito longe. Não se pode inibir vontade de candidatura nenhuma”, disse.

O presidente do Senado afirmou ainda que deve almoçar nesta sexta-feira com Quintella e que vai participar de solenidade de assinatura de ordem de serviço para construção de um Centro de Convenções em Penedo, em Alagoas. A cidade é administrada por Marcius Beltrão, primo do ministro. “O importante agora é somar para o desenvolvimento do Estado”, afirmou o senador.

(Com Estadão Conteúdo)

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