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PT perdeu na Câmara e no Senado, avalia oposição

Parlamentares de PSDB e DEM dizem que governo Dilma Rousseff passou "vexame" com Cunha e corre risco de ver Renan Calheiros na Lava Jato

Por Da Redação 2 fev 2015, 10h35

A oposição comemorou a vitória de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados e lamentou a reeleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado Federal, resultado creditado a uma operação da bancada petista. A avaliação de parlamentares de DEM e PSDB, porém, é que os dois resultados prejudicaram o PT.

Na Câmara, os oposicionistas afirmam que o fato de Arlindo Chinaglia (PT-SP) ter obtido uma votação pouco expressiva indica que a presidente Dilma Rousseff terá dificuldades de reorganizar a sua base aliada. A avaliação que predominou foi a de que o governo não conseguiu impedir a chegada de um desafeto da presidente ao mais alto comando da Câmara mesmo após usar todas as armas.

“Eduardo Cunha vencer era previsível, mas o governo passou um vexame”, disse o deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA). Segundo ele, o PSDB entregou os votos que prometeu ao candidato do PSB, Júlio Delgado (MG), mas a eleição não foi para o segundo turno porque Chinaglia teve um desempenho abaixo do esperado.

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A expectativa dos oposicionistas agora é que Cunha, mesmo sendo do PMDB, mantenha uma posição de independência em relação ao governo e ajude a aprovar pautas que desagradem ao Palácio do Planalto, como a instalação de uma nova CPI para investigar o esquema de corrupção na Petrobras. No Senado, a oposição fez questão de creditar a vitória de Renan aos treze senadores petistas, que decidiram por unanimidade apoiar o senador alagoano.

“Acho que o senador Renan deve uma palavra especial de agradecimento à bancada do PT, que, mais do que a do PMDB, garantiu a sua vitória”, ironizou o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

A avaliação da oposição é que o PT será criticado pela opinião pública caso o nome de Renan seja confirmado pelo Ministério Público Federal como um dos envolvidos na Operação Lava Jato. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, trabalha com fevereiro como prazo final para pedir a abertura de inquéritos ou apresentar denúncias contra os parlamentares citados no esquema de corrupção da Petrobras. O novo líder do DEM, senador Ronaldo Caiado, disse que “o PT quis reelegê-lo [Renan] para ele acobertar tudo isso que está acontecendo”.

Eduardo Cunha também foi citado na Lava Jato pelo doleiro Alberto Youssef como beneficiário do esquema. Ele e Renan rechaçam o envolvimento de seus nomes. Sobre a reeleição de Renan, Aécio disse esperar que o peemedebista seja, neste segundo mandato que se inicia, mais um presidente do Poder Legislativo do que um aliado do Palácio do Planalto. No ano passado, ele acusou o senador alagoano de atuar a serviço do governo Dilma. “O Congresso Nacional não pode continuar a ser um puxadinho do Palácio do Planalto”, disse Aécio.

(Com Estadão Conteúdo)

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