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PSDB pede investigação sobre filho de Alfredo Nascimento

Oposição voltará à Procuradoria Geral da República para pedir ampliação de investigações sobre o ministro, após novas denúncias

Por Gabriel Castro 6 jul 2011, 12h26

O PSDB vai entregar nesta quarta-feira à Procuradoria Geral da República (PGR) um acréscimo à representação que apresentou na terça-feira contra o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Com base em reportagem publicada no jornal O Globo, o partido agora pede que os procuradores incluam na investigação o filho do ministro, dono de uma empresa cujo patrimônio cresceu 86.500 % desde 2005.

O caso já é apurado pelo Ministério Público Federal no Amazonas. A Forma Construções, de propriedade de Gustavo Morais Pereira, tinha um capital de 60 mil reais em 2005. Seis anos depois, chegou aos 50 milhões de reais. Os procuradores investigam a relação entre a empresa do filho do ministro e a SC Transportes, companhia que recebeu recursos do Ministério dos Transportes e, por outro lado, repassou dinheiro à Forma Construções. A SC também doou recursos para a campanha eleitoral de Nascimento ao Senado em 2006.

O episódio é mais um desdobramento da reportagem de VEJA desta semana, que mostrou a existência de um amplo esquema de corrupção no Ministério dos Transportes. Nesta terça-feira, o PSDB e o PPS já haviam pedido à Procuradoria Geral da República uma investigação sobre o caso.

Defesa – Em nota divulgada no início da tarde desta quarta-feira, Alfredo Nascimento nega manter vínculos comerciais ou empresariais com dirigentes da SC Transportes, assim como seus familiares. Segundo ele, o depósito mencionado pelo jornal O Globo refere-se à venda de um imóvel, cuja transação está registrada na declaração de imposto de renda de seu filho.

O ministro afirma que a empresa, que atua com navegação, recebe os ressarcimentos obrigatórios previstos na legislação que regula as atividades vinculadas a esse segmento, assim como outras empresas do setor. Nascimento declarou ainda não ter sido notificado pelo Ministério Público Federal das investigações.

Revelações – VEJA mostra que, no último dia 24, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com integrantes da cúpula do Ministério dos Transportes no Palácio do Planalto para reclamar das irregularidades na pasta. Ao lado das ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Miriam Belchior (Planejamento), ela se queixou dos aumentos sucessivos dos custos das obras em rodovias e ferrovias, criticou o descontrole nos aditivos realizados em contratos firmados com empreiteiras e mandou suspender o início de novos projetos.

Dilma disse que o Ministério dos Transportes está sem controle, que as obras estão com os preços “inflados” e anunciou uma intervenção na pasta comandada pelo PR – que cobra 4% de propina das empresas prestadoras de serviços.

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