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PSDB faz prévia histórica que pode decidir o futuro da terceira via

Votação ocorre hoje em Brasília e em todo o país, por meio de um aplicativo; diante de lentidão no sistema, encerramento foi postergado para as 18h

Por Da Redação Atualizado em 21 nov 2021, 11h38 - Publicado em 21 nov 2021, 08h00

O PSDB vai às urnas hoje em Brasília e em todo o País, por meio de uma votação eletrônica, para decidir o candidato do partido à Presidência da República no ano que vem. O nome que o partido vai escolher é aguardado pelas demais siglas partidárias, e por uma série de agentes políticos, como o possível primeiro nome confirmado em 2022 contra o presidente Jair Bolsonaro e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

A votação em Brasília é exclusiva para membros do partido com cargos eletivos: prefeitos, vice-prefeitos, deputados federais e estaduais, senadores, governadores e vices. Também votam lá presidentes e ex-presidentes do partido. Vereadores e filiados sem cargos eletivos votam por meio do aplicativo para celular. Diante de lentidão no sistema, o encerramento da votação, antes previsto para as 15h, com divulgação do resultado por volta das 17h, foi postergado para as 18h. Há previsão de uma entrevista coletiva depois de conhecido o vencedor.

São três os candidatos na disputa: os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (que se rivalizaram em uma campanha acirrada e com alguns ensaios de golpes abaixo da cintura) e, como azarão, o ex-senador e ex-prefeito de Manaus (AM) Arthur Virgílio, um dos caciques da legenda, que serviu no governo da maior autoridade da sigla, Fernando Henrique Cardoso.

Os três candidatos fizeram uma campanha com orçamento estimado em quase 5 milhões de reais, financiado pelo partido com recursos públicos do Fundo Partidário, percorrendo todos os estados do País. Leite e Doria também fizeram campanhas de disparo em massa de mensagens para os eleitores — pessoas que se filiaram ao partido até maio deste ano e que se cadastraram para a votação até o último dia 15. 

É a primeira vez que um partido faz prévias nacionais para a escolha do candidato. As demais legendas, em geral, escolhem a chapa por aclamação, em uma decisão dos presidentes e demais dirigentes de cada sigla. O PSDB optou por um modelo em que todos os filiados puderam se inscrever para a votação, mas com votos tendo um peso diferente na votação total dependendo se o eleitor é só o filiado ou se tem algum cargo eletivo. Diferentemente do que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, que tem tradição de prévias partidárias, não há nem colégio eleitoral nem separação de votos por estados. A adesão foi baixa. Dos mais de 1,3 milhão de pessoas que são filiadas à sigla, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas 39.000 fizeram o cadastramento. 

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Doria, de 63 anos, fez uma campanha que em um primeiro momento se concentrou no estado de São Paulo, diretório que corresponde por mais de 60% dos filiados do partido, e buscou antecipar o que seria seu discurso na corrida presidencial: destacou os feitos de governo na área econômica e deu ênfase ao fato de ter sido o responsável pelo início da vacinação contra a Covid-19 no país. Mas o “João Vacinador”, que já havia disputado e vencido prévias para prefeito da capital e governador do estado, colecionou uma série de desafetos dentro da legenda, que tentaram minar essa base de sustentação. A alternativa de Doria, além de colocar sua equipe de governo para auxiliá-lo na campanha dentro do Estado, foi buscar votos em estados onde Leite estava melhor. Dentre os caciques do partido, o apoio mais comemorado que recebeu foi do senador José Serra e apoios simbólicos, como o de Tomás Covas, filho do prefeito Bruno Covas, morto em maio. FHC também declarou apoio da Doria, ainda no começo da disputa.

Já Leite, de 36 anos, foi adotado por uma parte significativa dos dirigentes do PSDB, que fazem oposição a Doria, incluindo o deputado federal Aécio Neves, o presidente do partido Bruno Araújo, o cacique cearense Tasso Jereissati e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, que está e saída da sigla e, embora não tenha se envolvido com a campanha, colocou os aliados paulistas — prefeitos, vereadores e ex-deputados — para apoiar o gaúcho. Ele também recebeu apoio de lideranças de outros partidos que têm influência entre os tucanos, como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Em sua campanha, Leite também exaltou feitos em seu estado na área econômica e trabalhou por tentar colar em si uma imagem de “tucano de verdade”, em oposição a Doria, diante do apoio da velha guarda da legenda. 

Virgílio, que não chegou a rivalizar com os adversários na disputa, exerceu um papel de ponto de amortecimento diante da rivalidade crescente entre Leite e Doria, com um discurso de reconciliação e que sugeriu ao partido encapar uma pauta ambiental e de defesa da Amazônia.

Doria e Leite protagonizaram momentos de ataques mútuos durante os debates e chegaram a levar alguns temas para o “tapetão”, para análise da comissão eleitoral do partido. Nesse processo, Leite conseguiu retirar da votação 92 prefeitos recém-convertidos para o partido, de São Paulo, cujo voto supostamente iria para o paulista. Doria conseguiu retirar, em resposta, 34 filiados do Rio Grande do Sul. Os argumentos, negados pelas duas candidaturas, foram que essas pessoas foram inscritas no partido fora dos prazos. 

Embora essa disputa tenha trazido cores mais fortes para as divergências pré-existentes na sigla, a expectativa é que, escolhido um vencedor, ao menos no discurso os três candidatos devem pregar reconciliação.

A escolha do candidato do PSDB é tida por analistas como o pontapé inicial da construção do cenário eleitoral do ano que vem, uma vez que é a partir desta definição que as demais legendas devem costurar suas próprias alianças e a composição das chapas. Doria, se vencer, não deve abrir mão de disputar a Presidência. Já Leite — e até Virgílio — já anunciaram que poderiam abrir mão de uma cabeça de chapa se, no ano que vem, às vésperas do início da disputa, outro nome se mostre mais competitivo para ir ao segundo turno contra o atual presidente ou o patrono do PT. 

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