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Protestos em cidades brasileiras pedem o julgamento do mensalão

Maior marcha aconteceu em Brasília, onde, segundo cálculos da Polícia Militar, cerca de 3 mil pessoas vestidas de preto

Por Da Redação - 21 abr 2012, 15h06

Milhares de pessoas foram às ruas neste sábado em 80 cidades do Brasil para pedir rapidez no julgamento do caso mensalão ocorrido no governo Lula em 2005 e que está a ponto de prescrever.

O principal objetivo das manifestações é pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que julgue o mais rápido possível o caso que investiga os subornos feitos a dezenas de deputados em 2004 e 2005 e pela suspeita de financiamento ilegal da campanha eleitoral que levou Lula ao poder em 2003. Se não for julgado até junho, o processo pode ser adiado para 2013.

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Os manifestantes também pedem ficha limpa para todos os ocupantes de cargos públicos, o fim do voto secreto no Congresso e a transformação da corrupção em crime hediondo.

A maior marcha aconteceu em Brasília, onde, segundo cálculos da Polícia Militar, cerca de 3 mil pessoas vestidas de preto se concentraram na esplanada dos Ministérios. Em menor número, houve protestos na maioria das 27 capitais do país, segundo dados dos organizadores.

O presidente do Supremo, o ministro Ayres Britto, afirmou nesta semana que pretende concluir o julgamento nos próximos meses, antes das eleições municipais de outubro.

Protesto – Brasília e Rio de Janeiro saíram na frente em suas manifestações em prol do julgamento do mensalão. Enquanto na capital federal o tempo ajuda, com sol aberto, no Rio, a cor cinzenta do céu afasta as pessoas da orla carioca, local dos protestos.

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Eram mais de 10 horas quando manifestantes começaram a se aglomerar no gramado da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Segundo cálculos da Polícia Militar (PM), cerca de 1 500 pessoas participaram da concentração.

O número de participantes, porém, ficou bem abaixo da expectativa de 20 000 pessoas feita pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma das organizadoras do protesto.

O contingente de pessoas aumentou e ganhou novos adepos quando o grupo passou a se movimentar em direção à Praça dos Três Poderes e, segundo a PM, chegou a 3 000 pessoas.

No final do protesto, já na Praça dos Três Poderes, os manifestantes cantaram o Hino Nacional e encerraram o evento.

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Chama atenção a baixa faixa etária dos participantes. Segundo a reportagem do site de VEJA, jovens universitários ou mesmo do ensino médio, trajando roupas pretas, compõem a maioria do grupo de manifestantes. Questionado se o apartidarismo do protesto poderia minar sua eficácia, Rafael Baianuk, estudante de 22 anos, afirmou: “Nosso mecanismo é fazer pressão para que eles [congressistas] mudem. Não é um apartidarismo passivo.”

Além da exigência do julgamento do processo do mensalão ainda esse ano, faixas e palavras de ordem também pedem Ficha Limpa para todos os poderes e fim do voto secreto no Congresso. As pautas de reinvindicações locais pedem Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do governador Agnelo Queiroz (PT-DF) e melhorias no sistema de saúde pública, um dos problemas crônicos do Distrito Federal.

Rio de Janeiro – Aglomerados em frente ao Posto 9, na praia da Ipanema, o grupo de manifestantes conta com um carro de som para amplificar palavras de ordem e angariar assinaturas para um abaixo-assinado pelo julgamento do mensalão.

Com o tempo ruim, os cariocas preferiram viajar ou ficar em suas casas. Com isso, o protesto do Rio foi esvaziado. Por volta das 11 horas, pouco pais de 60 pessoas estavam participando da manifestação e o abaixo-assinado contava com cerca de 400 assinaturas – a maioria delas de indivíduos que passavam no local.

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No chão, perto do local onde as pessoas se concentravam, havia uma pintura com os dizeres “SOS STF”, em alusão ao julgamento do mensalão. Com uma faixa – “CPI do Cachoeira: Ampla, Geral e Irrestrita” – manifestantes pedem rigor na apuração dos escândalos.

Os movimentos civis anticorrupção – muitos deles organizados nas redes sociais on-line – que realizam as manifestações pelo Brasil neste sábado já defenderam em seus protestos causas como a aprovação da Lei da Ficha Limpa, que entrou em vigor no começo deste ano.

Confira no mapa abaixo os locais de horários das manifestações pelo país:

(Com agência EFE e reportagem de Gabriel Castro e Rafael Lemos)

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