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Presidente do PT se contradiz sobre defesa de Lula

Na mira da Lava Jato, ex-presidente reuniu conselho do partido para tratar das suspeitas contra ele. Embora tenha confirmado que esse era um dos temas do encontro, Rui Falcão disse mais tarde que assunto não foi tratado

Por Da Redação - 15 fev 2016, 14h49

Na mira do Ministério Público em São Paulo e da Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu nesta segunda-feira o Conselho Político da Presidência do PT para tratar das investigações contra ele – pelo menos essa era uma das pautas “prioritárias” da reunião, segundo nota divulgada pelo partido pela manhã. O grupo também foi chamado para tratar da conjuntura do país e discutir saídas para a crise econômica – provocada justamente pela desastrada gestão da presidente Dilma Rousseff. Na sexta-feira, Lula se reuniu com Dilma em São Paulo e, depois do encontro, ela se comprometeu a assumir um discurso de defesa moderada de seu antecessor. No sábado, a presidente afirmou que o padrinho político é alvo de uma ‘injustiça’.

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Pouco antes da reunião em um hotel na capital paulista ter início, o presidente do PT, Rui Falcão, divulgou texto em que tratava da pauta do encontro. “As ameaças crescentes ao Estado Democrático de Direito, a ofensiva reacionária para criminalizar o PT e a escalada de ataques ao companheiro Lula são temas prioritários na reunião do Conselho Político da Presidência do PT, nesta segunda-feira (15), em São Paulo”, dizia a nota publicada pela agência de notícias do partido. Horas depois, em coletiva de imprensa ao término do encontro, Falcão negou que a reunião tenha abordado as suspeitas que pesam contra o ex-presidente Lula em relação ao sítio de Atibaia e ao tríplex do Guarujá, que foram reformados por empreiteiras do petrolão. Disse ele: “Queria desmentir cabalmente o que houve em alguns sites de que essa reunião era para discutir linhas de defesa do presidente Lula. Isso não ocorreu, não estava na pauta”. Questionado sobre a nota assinada por ele mesmo, tentou corrigir-se: “Ah sim, naturalmente as pessoas fazem isso sempre, mas não era pauta da reunião”.

O discurso de Falcão durante a coletiva dá indícios da estratégia traçada pelo conselho. O presidente do PT preferiu atacar a Operação Lava Jato e saiu em defesa dos presos em Curitiba. Segundo Falcão, houve “abolição do habeas corpus” e “inversão do princípio de presunção de defesa”. O petista ainda disse que os delatores foram “transformados em heróis” pela imprensa – mas se calou sobre os criminosos condenados tratados como heróis pelo partido.

Falcão também saiu em defesa de Lula quando perguntado sobre o sítio frequentado pelo ex-presidente. “São denúncias infundadas, haja vista que o sítio tem escritura, tem nome de proprietário, e o proprietário faculta as visitas a quem ele quiser, principalmente a Lula. É uma denúncia que não faz nenhum sentido”, afirmou. Os investigadores apuram se as reformas feitas no imóvel pelas empreiteiras investigadas foram uma forma de compensação por contratos obtidos com a Petrobras.

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