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Por que Marta e Doria sofrem com a absolvição de Russomanno

Ex-prefeita e senadora do PMDB disputa votos dos mais pobres com o deputado federal. Tucano não se beneficiará automaticamente do sentimento anti-PT

Por João Pedroso de Campos - Atualizado em 10 ago 2016, 23h10 - Publicado em 10 ago 2016, 21h26

Ao decidir por 3 votos a 2 que Celso Russomanno (PRB-SP) estava absolvido de uma condenação em primeira instância pelo crime de peculato, livre, portanto, da Lei da Ficha Limpa e liberado para concorrer à prefeitura de São Paulo, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) frustrou a torcida dos oponentes do deputado. Considerando a disputa em determinados setores do eleitorado paulistano, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) e o empresário João Doria Jr. (PSDB) foram os candidatos que mais deixaram de lucrar com a continuidade na disputa do líder das pesquisas de intenção de voto, com 25%, segundo o Datafolha mais recente.

As razões pelas quais a senadora gostaria de ver Russomanno impedido de concorrer vão desde a mais óbvia – sem ele, Marta lidera com 21% das intenções de voto; com ele, tem 16% – à disputa pelo mesmo nicho eleitoral: de acordo com o Datafolha, a peemedebista de primeira viagem e o deputado do PRB têm seus melhores desempenhos entre os eleitores cuja renda é de até 2 salários mínimos. Dizem votar na senadora, com certeza, 30% deste eleitorado; votariam em Russomanno 40%.

Sem Russomanno disponível na urna eletrônica, Marta, que já conta com um crescimento de sua candidatura graças à definição do vereador Andrea Matarazzo (PSD) como seu vice, sobretudo entre os mais ricos, ganharia uma folga na colheita dos votos dos mais pobres.

Para o cientista político Rui Tavares Maluf, que vê o deputado federal apenas como “favorito momentâneo” à disputa na capital paulista, Marta, “sendo uma política muito conhecida, ex-prefeita de São Paulo, não poderia montar sua campanha partindo do princípio de que a probabilidade de ele (Russomanno) concorrer fosse remota. Teria que desenvolver considerando o recall dele”. Maluf se refere à campanha municipal de 2012, que Russomanno liderou durante boa parte do primeiro turno, mas acabou ficando de fora do segundo, entre Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB).

Pupilo do governador Geraldo Alckmin, João Doria Jr., por sua vez, não será beneficiário automático dos votos de 45% dos paulistanos que declaram não votar “de jeito nenhum” no prefeito e dificilmente votariam nas ex-petistas Marta e Luiza Erundina, deputada federal pelo PSOL.

Mesmo sem a candidatura do deputado, alternativa à polarização tucano-petista, Doria não cresceria imediatamente – a intenção de voto dele sobe apenas um ponto, de 6% para 7%, segundo o Datafolha.

Rui Maluf aponta, no entanto, a falta de coesão no eleitor descontente com os governos petistas e vê como possibilidade um aumento de votos brancos e nulos. “O eleitorado descontente pode tentar encontrar um outro caminho ao seu descontentamento. Esse eleitorado apresenta muitas diferenças entre si. Pode tanto se encaminhar para uma ou outra candidatura que pareça uma novidade, como caminhar para o voto nulo ou a abstenção.”

Segundo turno – Se João Doria Jr. e Marta Suplicy não têm o que comemorar com a manutenção de Celso Russomanno na disputa pela prefeitura de São Paulo, a senadora do PMDB tem ao menos um consolo, enquanto o tucano, por enquanto, uma preocupação a mais.

Nas mais recentes projeções do Datafolha para o segundo turno na capital paulista, o candidato do PRB vence todos os adversários. Seu melhor desempenho se dá contra Doria, 58% a 18%, com 22% de brancos e nulos e 3% indecisos. A adversária contra a qual Russomanno tem mais dificuldades é Marta: 48% a 31%, com 19% de brancos e nulos e 2% de indecisos.

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