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Por alianças, Joice defende ‘menos discurso ideológico de palanque’

Líder do governo no Congresso prega 'peneirada' em aliados e fim de 'clima beligerante'. Ela se reunirá com Lorenzoni para tratar de estratégia legislativa

Líder do governo Bolsonaro no Congresso, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou que é necessário entre aliados do presidente reduzir o “discurso ideológico de palanque” para a construção de novas alianças no Legislativo. Ela citou ainda uma “peneirada [entre os bolsonaristas] para ver quem está atrapalhando e tirar da frente do caminho”. A parlamentar vai se reunir, nesta segunda-feira, 20, com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para discutir a estratégia no Congresso.

“A gente precisa ter mais maturidade política e menos discurso ideológico de palanque. O presidente [Jair Bolsonaro] quer isso. Eu quero isso. A gente tem que fazer a peneirada para ver quem está atrapalhando e tirar da frente do caminho”, afirmou ao chegar ao Palácio do Planalto.

Joice disse ainda que a Medida Provisória (MP) 870, que trata da reforma administrativa, só será aprovada se “ninguém atrapalhar”. De acordo com a deputada, a aprovação do texto, que entre outras coisas confirma a redução de 29 para 22 ministérios, “vai depender de hoje”, referindo-se à reunião com Lorenzoni.

“Temos um Congresso que está disposto a votar a matéria, um grupo de líderes disposto a seguir com as votações. O que tem que acontecer é uma boa conversa e todo mundo baixar a guarda. Chega de clima beligerante. Não se consegue aliados atacando pessoas. Não vamos conseguir aliados atacando aqueles que podem votar conosco nos textos que são importantes para o governo”, criticou.

No final da semana passada, Joice e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) trocaram farpas no Twitter em torno da MP da reforma administrativa. Carla acusou a líder do governo no Congresso de não trabalhar pela permanência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Justiça e de estar alinhada ao Centrão. Joice Hasselmann rebateu alegando que, para ser aprovado, o texto da medida provisória precisa reunir maioria no plenário da Câmara.

Sem citar nomes, a líder do governo afirmou que “algumas figuras no meio do caminho” têm de entender que o “clima beligerante não ajuda em nada”.

Joice ressaltou a necessidade de um cessar-fogo e disse que a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro se reunir com líderes partidários “sempre é importante”, mas que “existem outras figuras em órbita que têm feito ataques àqueles que podem ser nossos aliados”. “Não é o presidente que está usando nenhum discurso beligerante”, acrescentou.

Joice também afirmou que não recebeu o texto encaminhado por WhatsApp pelo presidente na semana passada que fala sobre o país ser “ingovernável” sem a realização de “conchavos” , nem mesmo o secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten.

“Talvez alguém tenha recebido um texto e, se recebeu, passar texto encaminhado pelas mãos do presidente para frente, isso é no mínimo mau-caratismo. Então a gente tem que ver quem é que está ajudando e lutando contra o país. Fazer essa peneirada para que a gente possa seguir em frente e tocar o Brasil. Ninguém aguenta mais, a gente precisa de geração de emprego, geração de renda, aprovar essa reforma da Previdência, as Medidas Provisórias. Já deu”, declarou.

(Com Estadão Conteúdo)