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PF aponta ligação entre operador do PMDB e Transpetro

Anotações na agenda de Paulo Roberto Costa indicam reuniões entre o ex-diretor da Petrobras e Fernando Baiano, associadas à palavra 'navio'

Por Da Redação 17 nov 2014, 08h38

Anotações na agenda do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, revelam ligação entre Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de propinas na estatal, e a Transpetro, subsidiária que atua no setor de navios, segundo investigação da Polícia Federal.

No caderno apreendido pelos agentes federais na casa de Costa, em março, quando a operação foi deflagrada, as anotações em sequência “FB” e “Navios” são interpretadas pelos policiais como Fernando Baiano e subsidiária da estatal, respectivamente. O registro indica também a data da reunião, com quem seria o encontro, assuntos e os valores de propina na Petrobras tratados entre o delator do esquema de corrupção e aquele que seria operador do PMDB. Fernando Baiano está com a prisão decretada, mas fugiu – e não pretende se entregar, como afirma sua defesa.

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A Polícia Federal suspeita que essa nova frente de investigação possa atingir o presidente licenciado da Transpetro Sérgio Machado, que chegou ao cargo em 2004 por indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Machado está na mira das novas etapas da Lava Jato desde 8 de agosto, quando o delator afirmou em depoimento ter recebido em mãos 500.000 reais de Machado. O pagamento, ocorrido em 2012, seria referente a uma propina por locação de navios, cuja negociação fora intermediada pela diretoria de Abastecimento da Petrobras, sob o comando de Costa.

Segundo eles, todos os grandes contratos da estatal tinham cobrança de propina de até 3% em um esquema de loteamento de diretorias na estatal pelo PT, PMDB e PP, que abasteceu também o PSDB e o PSB.

Núcleo empresarial – No mesmo item de assuntos a ser tratado no suposto encontro com “FB”, o delator da Lava Jato anotou siglas e nomes de executivos e empresas que se tornaram alvo da fase Juízo Final, a sétima da Operação Lava Jato. A Polícia Federal está convencida de que as iniciais QG são de Queiroz Galvão, uma das empreiteiras sob suspeita da Juízo Final.

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O nome entre parêntesis é do executivo Ildefonso Colares, preso na sexta-feira. Os investigadores suspeitam que “R$ 3,0” significa 3 milhões de reais. Há ainda a anotação “Engevix (Gerson)”. Trata-se de Gerson Almada, outro dos 23 detidos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Em um dos computadores da empresa Costa Global, aberta em 2012 pelo ex-diretor de Abastecimento, depois que ele saiu da Petrobras, o nome de Fernando Soares, o Baiano, aparece associado a valores. Num deles, o montante é de 2,1 milhões de reais. O registro foi anexada ao despacho do juiz federal Sérgio Moro nos pedidos de prisão da Lava Jato.

Defesa – Por sua assessoria, Sergio Machado declarou “ser mentirosa e absurda a acusação feita contra si por Paulo Roberto Costa”. O criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende Baiano, foi enfático. “O sr. Fernando não é lobista, nem operador do PMDB, mas representante no Brasil de duas empresas espanholas.”

Já a Engevix, “por meio de seus advogados e executivos, prestará todos os esclarecimentos que forem solicitados”, diz em nota.Queiroz Galvão não respondeu à reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

Sétima fase da operação Lava Jato
Sétima fase da operação Lava Jato VEJA

(Com Estadão Conteúdo)

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