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Petrobras: novo alvo da PF é a diretoria de Exploração

Área responsável pelo afretamento de navios-sonda e pelas plataformas de perfuração pode revelar um propinoduto ainda maior, segundo investigadores

Por Laryssa Borges 21 Maio 2015, 13h39

Depois de prender o lobista Milton Pascowich na 13ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal avalia ter encontrado indícios que podem levar a esquemas de corrupção em uma nova área da Petrobras: a diretoria de Exploração e Produção da estatal, responsável por sondas de busca de petróleo – e que contratou as cobiçadas consultorias do pré-sal.

Nos últimos meses, policiais que atuam na Lava Jato detectaram que Pascowich, empresário ligado ao ex-ministro José Dirceu, tinha presença constante na diretoria de Exploração, a mando da construtora Engevix. A atuação tinha “características semelhantes” ao esquema de pagamento de propina na diretoria de Serviços, comandada à época por Renato Duque. As suspeitas são que Pascowich replicou o esquema em uma consultoria fictícia, envolvendo negócios no estaleiro Rio Grande.

Esses indícios devem levar a uma varredura nos contratos assinados pela diretoria. A senha para o potencial explosivo do novo flanco de investigação já havia sido dada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que em delação premiada afirmou que os “grandes valores” eram movimentados mesmo na diretoria de Exploração. “Os grandes valores, os grandes orçamentos, o processo que se iniciou em 2003 por Pedro Barusco e das empresas era dentro da área de Exploração & Produção”, disse Costa. Na época, o diretor da área era Guilherme Estrela.

Nos últimos meses, a PF vem reunindo indícios de que os tentáculos do petrolão chegaram à área de Exploração, pasta com o segundo maior orçamento da Petrobras e uma mina de ouro para a atuação de criminosos. A diretoria de Exploração trata diretamente do afretamento de navios-sonda e plataformas de perfuração. Transações bilionárias e possivelmente fraudulentas podem ter sido potencializadas com a exploração do petróleo encontrado na camada pré-sal e com a contratação de consultorias de fachada para prospecção de negócios.

A menção que Paulo Roberto Costa fez a Pedro Barusco ao relatar o esquema criminoso na Petrobras acendeu outra luz de alerta nos investigadores da Lava Jato. Os focos de apuração da PF vão se intensificar também contra Roberto Gonçalves, sucessor de Barusco como gerente de Serviços da estatal. Em depoimento, Pedro Barusco, que concordou em devolver 97 milhões de dólares, detalhou a partilha de propina na petroleira e disse que uma parcela dos recursos era destinada à “Casa 1”, ou “o diretor de Serviços Renato Duque e Roberto Gonçalves, o qual substituiu o declarante na gerência executiva da Área de Engenharia”.

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