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Paulo Guedes defende ‘superpoderes’ a partidos, diz jornal

'Bolsonaro me convenceu de que não entendo de política', afirmou o conselheiro econômico do presidenciável pelo PSL

Por Redação Atualizado em 22 set 2018, 00h29 - Publicado em 22 set 2018, 00h28

Em entrevista publicada no jornal O Globo nesta sexta-feira (21), o economista Paulo Guedes — assessor do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e indicado pelo candidato como seu ministro da Fazenda no caso de vitória nas eleições — afirmou que procurou lideranças políticas para discutir um projeto de “voto programático” há seis meses. Ele afirmou também ter retomado o assunto durante reuniões recentes com investidores. “Acho que isso vai acontecer de novo logo depois que tiver o primeiro turno.”

“Assim que o Jair Bolsonaro me chamou para fazer o programa econômico, a primeira coisa em que pensei foi em governabilidade”, afirmou Guedes. De acordo com a proposta, caso mais da metade da bancada de um partido votasse a favor de um determinado projeto, todos os votos dos congressistas seriam computados integralmente da mesma forma.

Entre os interlocutores estava o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). De acordo com a publicação, o parlamentar negou ter falado sobre o assunto com o conselheiro do capitão reformado do Exército.

A proposta de Guedes seria uma forma de driblar uma eventual falta de apoios de partidos para propostas de Bolsonaro no Congresso, caso fosse eleito presidente. Atualmente, a coligação do deputado conta apenas com o seu próprio partido, o PSL, e com o PRTB, do vice na chapa, general Hamilton Mourão.

Em bloco, o futuro presidente da República teria mais facilidade de ter seus projetos aprovados no parlamento, já que daria “superpoderes” às siglas ao diminuir o peso dos votos individuais dos deputados — além de eliminar o risco de eventuais traições.

  • Na mesma entrevista, Guedes também propôs uma cláusula de barreira “mais inclinada um pouquinho, podia limitar em só quatro a cinco partidos lá na frente”.

    O assessor econômico, no entanto, disse que Bolsonaro o desautorizou a falar sobre política e que o presidenciável não é favorável à proposta. “Ele até brinca que convenceu o Paulo Guedes (de que não fazia sentido adotar o voto programático). Isso (a reunião há seis meses) foi muito antes de Jair Bolsonaro me convencer que eu não entendo nada de política.”

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