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Patriota diz que ‘não há afrouxamento’ do governo no caso dos corintianos presos na Bolívia

Doze torcedores do Corinthians seguem presos na Bolívia há 42 dias após a morte do garoto Kevin Espada durante uma partida da Copa Libertadores

Por Laryssa Borges - 4 abr 2013, 12h41

O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, indicou nesta quinta-feira, durante audiência no Senado, acreditar na inocência dos doze torcedores do Corinthians presos desde o dia 20 de fevereiro na Bolívia e afirmou que “não há afrouxamento” do Itamaraty nas negociações para acelerar o desfecho do caso. Os brasileiros foram indiciados por participação na morte do garoto Kevin Espada, de 14 anos, durante uma partida da Copa Libertadores da América.

“A firmeza do governo brasileiro é a mais completa. Não há afrouxamento, o que pode haver é uma certa reserva em compartilhar publicamente, porque isso em nada contribuiria para proteger os brasileiros ou para acelerar o desenlace que todos nós desejamos”, disse o chanceler à Comissão de Relações Exteriores do Senado. “Uma vez comprovada a inocência, que acreditamos que pode ser o desenlace, esperamos a liberação o mais breve possível dos nossos concidadãos.”

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Patriota se reuniu no início do mês de março com o presidente boliviano Evo Morales para discutir o caso envolvendo os brasileiros presos no país vizinho. Nesta quarta, o presidente do Corinthians, Mário Gobbi, desembarcou em Brasília para negociar com representantes do governo a libertação ou pelo menos a prisão domiciliar dos acusados. Os torcedores estão encarcerados há 42 dias em prisão preventiva, que, segundo as leis bolivianas, pode se estender por até três anos.

Nos bastidores, interlocutores que acompanham as negociações sobre a libertação dos corintianos dizem que o Brasil não pode atacar publicamente o sistema judicial boliviano. Uma sinalização nesse sentido poderia ampliar o mal estar causado pela morte do menino Kevin Espada, além de ser interpretada como uma ingerência do governo brasileiro na gestão de Evo Morales. “Transmiti [ao presidente Evo Morales] com muita firmeza o propósito e a intenção do governo brasileiro de exigir tratamento digno e respeito aos nossos compatriotas e encaminhamento judicial mais célere”, disse nesta quinta-feira o ministro.

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Viés político – Autoridades e parlamentares que acompanham a situação dos corintianos avaliam que o governo de Evo Morales tem promovido uma retaliação a Brasília por causa do asilo ofertado pela embaixada do Brasil em La Paz ao senador oposicionista Roger Pinto Molina. Molina está na embaixada do Brasil desde maio de 2012 após alegar ser perseguido pelo governo boliviano.

“[Defendo um] Certo cuidado em não associar a situação do senador ao qual foi concedido asilo ao [episódios dos] detentos. Considero que é desejável continuarmos a tratar os assuntos por canais separados, ainda que se possam comunicar de alguma maneira”, disse o ministro Antonio Patriota nesta quinta no Senado.

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Para o chanceler brasileiro, no entanto, a situação de impasse envolvendo o senador Pinto Molina não será tratada como uma “moeda de troca” para a liberdade dos corintianos. “Nenhum cidadão brasileiro pode ser moeda de troca de coisa alguma. Temos todo interesse de manter os canais separados”, afirmou. “Não ganharemos nada em termos de equacionamento desse assunto aproximando os debates entre os dois temas.”

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