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Orlando Silva: “Quem tem provas do malfeito dele sou eu”

Em depoimento que durou aproximadamente três horas e meia, ministro procurou desqualificar as denúncias de corrupção apresentadas por João Dias

Por Gabriel Castro - 18 out 2011, 14h23

Envolvido em denúncias de corrupção no Ministério do Esporte, reveladas por VEJA, o ministro Orlando Silva participou, nesta terça-feira, de sessão conjunta de duas comissões da Câmara: a de Fiscalização Financeira e Controle e a de Turismo e Desporto. O depoimento começou pouco depois das 15 horas e durou aproximadamente três horas e meia. Em sua fala inicial, o comunista negou qualquer envolvimento nas práticas relatadas por João Dias, policial militar filiado ao PCdoB. “É uma narrativa falsa, fundada em mentiras e inverdades”, afirmou Silva. O ministro concederá uma entrevista coletiva.

Orlando Silva procurou desqualificar as denúncias apresentadas por Dias. “Até aqui, esse desqualificado falou e não provou. Quem tem provas do malfeito dele sou eu. Estão aqui, os autos do processo”, disse, exibindo processo judicial contra o PM. Ele classificou a atitude do militante como “reação de um interesse ferido”.

O ministro, cujo partido se fiou nas denúncias do enrolado Durval Barbosa para pedir a renúncia do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, achou inadmissível que as afirmações de João Dias sejam consideradas. Orlando Silva alegou que, como responde a processo na Justiça por desvios (justamente em convênios do Ministério do Esporte), o policial militar não tem condições de acusar ninguém.

O titular do Esporte se comparou a Galileu, perseguido pela Inquisição, e disse que o simples fato de seu partido ser acusado de corrupção é um perigo para a democracia. “É uma ameaça grave à democracia, de quem tenta desqualificar um partido com a história que o PCdoB tem”.

Diante da perspectiva de que a base aliada atuasse para amenizar o clima na comissão, os oposicionistas também abriram outra frente. No Senado, representantes do PSDB, do DEM e do PPS receberam o delator do esquema, João Dias, ao mesmo tempo em que Orlando Silva falava na Casa vizinha. No encontro, Dias afirmou que o Ministério do Esporte ainda tem muitas ‘caixas-pretas.

Cortina de fumaça – A oposição pediu que o próprio ministro assinasse um documento solicitando aos deputados que João Dias fosse ouvido. O ministro se recusou. Ele também disse imaginar por que foi alvo das denúncias neste momento: “A única razão [para as denúncias] é criar uma cortina de fumaça para ocultar os processos encaminhados contra essa pessoa”. E voltou a dizer que só esteve com João Dias uma vez, a pedido de Agnelo Queiroz: “Ele fez uma recomendação para que recebesse um dirigente esportivo de Brasília, como inúmeras outras vezes”.

Durante a audiência, o deputado Chico Alencar (PSOL)-RJ) perguntou, então, por que as chantagens não foram denunciadas aos órgãos competentes. “Não imaginamos, à época, que haveria um risco maior à equipe do ministério”, respondeu o ministro.

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Na tarde desta quarta-feira, Orlando Silva falará aos integrantes da Comissão de Fiscalização do Senado. Ciente de que corre sério risco de perder o cargo, o ministro tem sido ágil no contato com a imprensa e com os parlamentares, na tentativa de demonstrar segurança diante da situação.

Revelações – A crise no Ministério do Esporte teve início nesta semana, quando VEJA revelou as denúncias de João Dias. De acordo com ele, responsável por duas entidades que receberam dinheiro da pasta, o PCdoB usava os convênios para fazer caixa de campanha. Das verbas destinadas às ONGs, até 20% eram desviados.

O próprio ministro recebeu uma caixa repleta de dinheiro, de acordo com uma das testemunhas do caso. Orlando Silva nega todas as acusações e diz que João Dias é um “bandido” que não tem qualquer credibilidade.

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