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Entidade repudia ataques a jornalistas que cobriam prisão de Lula

Para a Repórteres Sem Fronteiras, profissionais são tomados como alvo de manifestantes de forma injusta

A organização de defesa à liberdade de expressão Repórteres sem Fronteiras (RSF) denunciou nesta segunda-feira 9 as agressões contra jornalistas durante a cobertura da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pela Operação Lava Jato. A instituição condenou o comportamento de manifestantes como “intolerável” e pediu que as autoridades respeitem o trabalho da imprensa.

No sábado (7), ao menos oito jornalistas foram agredidos física ou verbalmente em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, informou a RSF. Outros ataques semelhantes foram registrados desde a quinta-feira (5), quando foi decretada a ordem de prisão contra o ex-presidente. O Brasil é um dos piores colocados no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa feito pela RSF — o país é o 103º, entre 180 avaliados.

“Os jornalistas brasileiros são injustamente tomados como alvo, vítimas da indignação dos manifestantes que os associam diretamente à postura editorial dos veículos para os quais trabalham. Trata-se de um atentado grave à liberdade de imprensa, direito tão necessário nesses tempos turbulentos”, declarou Emmanuel Colombié, Diretor Regional do Escritório para a América Latina da Repórteres sem Fronteiras, segundo a organização.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou as agressões e hostilidades aos profissionais de imprensa. “A Abraji vê com preocupação o desrespeito contínuo a jornalistas por parte de diversos setores da sociedade. Com agressões, hostilidades e intimidações a profissionais da comunicação, perdemos todos, com a fragilização de um dos pilares da democracia: a liberdade de expressão.”

Em defesa do petista, o Sindicato de Jornalistas de São Paulo condenou as agressões, mas responsabilizou a “política editorial” dos veículos de comunicação para o qual os profissionais trabalham. “Para impedir que casos de agressão e tentativas de censura se repitam é preciso que se retome a  democracia, o que só será possível com Lula livre e com a garantia de o povo brasileiro poder votar legitimamente nas eleições de 2018”, disse a direção do sindicato em nota oficial.

Curitiba

No sábado, jornalistas também foram agredidos durante a chegada de Lula à Superintendências da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso. O sindicato da categoria no Paraná reportou que bombas de gás foram lançadas contra as pessoas na rua e em direção à casa em que estavam concentrados muitos jornalistas. “Muitos profissionais ficaram expostos a riscos e completamente vulneráveis frente à atuação policial. Uma das bombas lançadas pelos policiais atingiu diretamente um jornalista que participava da cobertura.”

“Para a entidade, agredir jornalista é um atentado à liberdade de expressão. O SindijorPR alerta que impedir o trabalho de profissionais da imprensa representa grave violação ao direito à informação e ao livre exercício profissional. O jornalista não está nesse local para defender um lado ou outro, mas para informar a sociedade sobre os fatos de seu interesse”, enfatiza o sindicato em nota.

(com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. Jornalistas que “cobriam Lula”. Bem instigante essa forma de expressão. Se fosse no meio rural a gente sabia bem de que se trata. Será que é a mesma coisa?

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