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Operador da central de propina não atuava só na Odebrecht

Rodrigo Tacla Duran recebeu 36 milhões de reais de construtoras alvo da Lava Jato. MP suspeita que ele tenha se envolvido com outros operadores do esquema

Por Da redação - 28 jul 2016, 13h02

O advogado Rodrigo Tacla Duran, apontado como um dos operadores das offshores criadas pelo “departamento de propina da Odebrecht”, recebeu 36 milhões de reais de empreiteiras investigadas na Lava Jato, entre elas, a UTC, Mendes Júnior e EIT.

Os dados constam em pedido de quebra de sigilo de empresas que, segundo o MPF, são suspeitas de escoar a propina da Mendes Júnior. Somente da Mendes Júnior, o escritório Tacla Duran Sociedade de Advogados, entre 2011 e 2013, recebeu 25 milhões de reais. Da UTC foram 9 milhões de reais e da EIT outros 2 milhões de reais.

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No caso da Mendes Júnior, os repasses ao operador são explicados na proposta de delação premiada em negociação com a Procuradoria-geral da República. Os valores seriam destinados a agentes públicos envolvidos em irregularidades em obras da Petrobrás e no governo do Rio de Janeiro.

Até então, os investigadores tinham conhecimento apenas da atuação de Tacla Duran em transações envolvendo as contras secretas da Odebrecht. Com a quebra de sigilo das construtoras, os investigadores descobriram que duas empresas de TaclaDuran foram beneficiárias de pagamentos milionários de investigadas na Lava Jato.

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O advogado foi citado na delação de Vinicius Veiga Borin – executivo dos bancos Antigua Overseas Bank (AOB) e Mein Bank – como um dos responsáveis por criar e operar offshores da Odebrecht. De acordo com Borin, Tacla Duran era responsável por um grupo de offshores utilizadas para operacionalizar os pagamentos efetuados pelo Departamento de Operações Estruturadas – nome oficial da central de propinas da empreiteira, segundo os investigadores da Lava Jato.

O Departamento de Operações Estruturadas foi alvo da 23ª etapa da Lava Jato, que levou à prisão do marqueteiro João Santana, sua mulher e sócia, Mônica Moura, além do próprio Borin. Foi a partir da Operação Acarajé – assim batizada em referência a um dos nomes usados nas planilhas da contabilidade paralela da Odebrecht para propinas – que a força-tarefa da Lava Jato chegou ao núcleo dos pagamentos ilícitos da empreiteira.

Além da Odebrecht, Mendes Júnior, UTC e EIT, o MPF também mapeou a relação de Tacla Duran com ao menos outras duas empreiteiras e dois operadores presos pela Lava Jato. A Treviso, de Julio Camargo, operador da Toyo Setal e atualmente delator, repassou 350.000 reais para o escritório do advogado.

Por sua vez, outra empresa de Tacla Duran, a Econocell do Brasil, repassou 3,5 milhões de reais para empresas de Adir Assad, apontado como operador da Delta Engenharia e de outras construtoras. Em relatório sobre as empresa de Tacla Duran solicitado pelo MPF, a Receita Federal aponta que “são fortes os indícios de participação” de Rodrigo Tacla Duran “no desvio e lavagem de dinheiro oriundo da corrupção apurada pela Operação Lava Jato, inclusive seu envolvimento com outros operadores deste esquema, como Adir Assad e Alberto Youssef”.

Defesas – Rodrigo Tacla Duran não foi encontrado no contatos disponíveis de seu escritório. Por meio de sua assessoria, a Odebrecht informou que não irá se manifestar sobre o tema. A UTC informou que não comenta investigações em andamento. A Mendes Júnior e EIT não responderam aos contatos.

(Com Estadão Conteúdo)

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