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O triunfo de Rui Falcão

Novo presidente do PT coordenará eleições municipais de 2012, discutirá reforma política e cargos no governo Dilma

Por Luciana Marques 29 abr 2011, 14h46

O telefonema da presidente Dilma Rousseff ao deputado estadual Rui Falcão (SP) às vésperas da eleição da Presidência do PT nesta sexta-feira já indicava que ele havia conquistado o cargo. A nomeação foi confirmada por unanimidade na reunião do Diretório do PT, na presença de ministros e ex-ministros, como José Dirceu – que já presidiu o partido e orquestrou a vitória de Falcão. A decisão provocou uma reviravolta na situação política de Falcão, abalada desde a campanha eleitoral quando ele foi acusado de atuar em um esquema de espionagem.

O novo presidente rasgou elogios a Dirceu, em seu primeiro discurso depois de ter o nome aclamado pelo PT: “Meu companheiro de militância no movimento estudantil, na luta contra a ditadura. Embora em tendências diferentes no partido, comungamos da mesma amizade durante décadas.”

Falcão negou depois que Dirceu tenha atuado para que ele ocupasse a vaga e disse ter boas relações com a presidente Dilma. “O companheiro José Dirceu em nenhum momento interferiu no processo eleitoral. Também não há nenhuma incompatibilidade nossa com a presidente Dilma. Ao contrário, temos amizade profunda por ela e militamos juntos no passado”, declarou.

O novo presidente do PT foi excluído da nomeação de cargos no governo Dilma por ter sido acusado de tentar montar um esquema de espionagem durante a campanha de 2010. O esquema, revelado por VEJA, também serviria para investigar petistas. Na época Falcão teve uma queda de braço com o atual ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel – que é amigo pessoal de Dilma. “O PT não fez dossiês”, disse Falcão.

Funções – O deputado foi eleito em uma candidatura única. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), estava cotado para assumir o posto, mas não resistiu à pressão dos paulistas, que pretendiam retomar o poder do partido. Caberá a Rui Falcão coordenar as eleições municipais de 2012, a reforma política e a mudança no Estatuto do PT.

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Além disso, o novo presidente deverá discutir a nomeação de cargos no governo e temas espinhosos, como a inflação. “Não vejo qualquer fuga das metas traçadas corretamente pelo nosso governo. O mais importante é que o combate à inflação está sendo feito sem sacrificar programas fundamentais que defendemos”, declarou.

Falcão prometeu uma gestão transparente e com a participação de movimentos populares. Ele disse que lutará contra ideias conservadoras e neoliberais, em referência aos oposicionistas. “Eles insistem em querer se impor na sociedade e, pior ainda, querem ditar regras para o nosso governo”, criticou. Segundo ele, a oposição está em crise e fragmentada.

O novo presidente evitou dizer se aprova a volta do ex-tesoureiro e um dos réus no processo de mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Delúbio Soares. O petista entregou uma carta pedindo sua refiliação nesta quinta-feira à Executiva do PT. “Essa questão vai ser objeto de debate no diretório”, limitou-se a dizer.

O deputado ficará à frente do comando PT até 2013. “Mandato tampão era mais problema que solução”, avaliou o deputado federal André Vargas (PR). “Nós todos podemos ficar absolutamente tranquilos. O Rui é uma pessoa que sabe ser dura, quando a dureza se impõe. Ele também é do diálogo e do equilíbrio”, elogiou a senadora Marta Suplicy (SP).

Antes do telefonema de Dilma a Falcão, o novo presidente do PT recebeu uma ligação do ministro da Casa Civil, Antônio Palocci. Na ocasião, ele disse que sua eleição era a melhor saída para o PT.

Além de Dirceu, também estavam presentes na reunião outros três ex-presidentes do partido: José Genoíno, Ricardo Berzoini e José Eduardo Dutra.

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