Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Novo protesto, o mesmo desfecho: muita bomba e correria

Ato em frente à casa de Sérgio Cabral terminou, mais uma vez, com confronto

Pedras e paus de um lado, bombas de gás lacrimogêneo de outro e uma correria generalizada. O desfecho que já se tornou recorrente nos protestos no Rio de Janeiro se repetiu mais uma vez no fim da noite desta quarta-feira. O cenário era novamente o tradicional bairro do Leblon, onde mora o governador do estado, na Zona Sul da capital. É o quarto ato programado em cerca de um mês na esquina da Rua Aristides Espínola com a Avenida Delfim Moreira, a mesma em que manifestantes passaram dias acampados no mês passado para chamar a atenção de Sérgio Cabral.

O clima já era tenso no início da concentração, por volta das 18h30, quando um boneco foi queimado na rua. A partir de então, as centenas de pessoas começaram a se dispersar em pequenos grupos, que caminhavam aleatoriamente pelo bairro – sem um trajeto definido e complicando o trânsito em algumas vias. Uma parte vestia roupas pretas e cobria o rosto com máscaras ou camisetas – como fazem os que, normalmente, instigam o confronto com a polícia. Alguns ainda carregavam paus e pedras sem qualquer cerimônia.

Leia: Protesto contra o governador do Rio fecha vias do Leblon

Por volta das 22h, um grupo seguiu em caminhada pela Avenida Bartolomeu Mitre até um prédio da Rede Globo. As portas de vidro do edifício foram quebradas por pedras. Os manifestantes ainda fizeram uma fogueira com papelões e jogaram tinta branca na fachada e nos muros. Pouco depois que essas pessoas se uniram novamente às que permaneciam na rua do governador, distante alguns quarteirões, começou o embate com o Batalhão de Choque.

Polícia – Uma grande quantidade de bombas de gás lacrimogêneo foi usada para dispersar os manifestantes, que fugiram correndo de forma desordenada pelo bairro e ateando fogo em objetos. A Rua Aristides Espínola ficou sem energia elétrica, durante a confusão. Carros foram pichados ao longo da Avenida Ataulfo de Paiva, e agências bancárias foram depredadas. Segundo a Polícia Militar, quatro agentes ficaram feridos.

O ato foi acompanhado por promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro, segundo informou a Polícia Militar em seu perfil no Twitter. A segurança já estava reforçada no local por volta das 15 horas, quando o acesso à rua de Cabral e outras adjacentes ficou restrito aos moradores. O Batalhão de Choque deslocou dezesseis veículos – além de outros três comuns da Polícia Militar – e um caminhão-pipa, usado para dispersar grupos com um jato potente de água. Grades de ferro reforçavam o isolamento da área.

Convocado pelo Facebook, o evento reuniu mais de 10.000 confirmações de presença. Entre as reivindicações, estão a criação de CPIs para apurar gastos com a Copa do Mundo e o uso de helicópteros pela família Cabral, além da desmilitarização da Polícia Militar, do fim da privatização do Maracanã e do pedido de renúncia de Cabral e seu vice, Luiz Fernando Pezão.

Vídeo mostra manifestantes jogando pedras na polícia:


Leia também:

Governo do Rio admite excessos da polícia em protestos

Lindbergh Farias, o cara-pintada contra a bala de borracha

Paes pede trégua nos protestos do Rio: ‘Papa não tem culpa’