Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

No Rio, Dilma cita Pezão e esquece do ‘pibinho’

Em inauguração de unidade industrial em Itaguaí, presidente fala da 'pujança da capacidade brasileira', mas não comenta o desempenho da economia em 2012

Por Pâmela Oliveira, de Itaguaí 1 mar 2013, 14h15

A sexta-feira caótica de aniversário do Rio de Janeiro, com uma greve de ônibus que prejudica a população na data que deveria celebrar os 448 anos da cidade, é marcada também por uma estranha configuração das agendas políticas. Num nebuloso cenário para a coligação que controla a prefeitura e o governo do estado, petistas e peemedebistas se dividiram nos compromissos deste 1º de março. Enquanto o autoproclamado candidato petista ao governo do estado em 2014, senador Lindbergh Farias, percorria o município de Japeri, o mais pobre do estado, acompanhado de líderes do partido, a presidente Dilma Rousseff era a estrela de uma inauguração em Itaguaí, na Região Metropolitana, ciceroneada pelo governador peemedebista Sérgio Cabral e o vice Luiz Fernando Pezão – também candidatíssimo ao Palácio Guanabara.

Tema em Foco: A disputa pelo governo do Rio em 2014

Dos problemas à mesa no momento, a bifurcação nos caminhos do PT e do PMDB é o menor. O momento festivo, com elogios de Dilma à “pujança da capacidade brasileira”, contrasta com a confirmação do pífio desempenho da economia em 2012, com o pior resultado do Produto Interno Bruno (PIB) desde 2009. A presidente deixou o evento sem comentar o crescimento de apenas 0,9% e preferiu se fechar no tema do evento.

“Com a recuperação da Nuclep foi possível construir, com mãos e cérebro brasileiros, aqui em Itaguaí, com toda a infraestrutura que foi feita pelo governador Sérgio Cabral e pelo vice-governador Pezão, todo esse empreendimento que é fundamental para a defesa do país”, afirmou, citando a Nuclebrás Equipamentos Pesados S/A (Nuclep), responsável pela construção do casco do primeiro submarino nuclear brasileiro.

Pezão foi citado duas vezes. Na primeira delas, referiu-se ao vice-governador como “meu querido Pezão”. Cabral, que discursou antes da presidente, recorreu ao refrão obrigatório para esse tipo de evento, e ressaltou a importância da parceria entre os governos e a aliança PMDB-PT no estado. “Parabéns pelo seu governo. Orgulho meu e do Pezão estarmos ao seu lado, construindo um novo Brasil e um novo Rio de Janeiro”, disse Cabral.

Na cerimônia, foi inaugurada a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem) que, junto à vizinha Nuclep, será responsável pela construção de cinco submarinos, sendo um de propulsão nuclear. Dilma disse que, com a iniciativa, o Brasil entra para um seleto grupo de países que tem acesso a submarino nuclear, citando EUA, China, França, Inglaterra e Rússia. A presidente afirmou ainda que uma indústria de defesa é uma indústria da paz, mas sobretudo é uma indústria do conhecimento. “Aqui, se produz tecnologia”, disse.

No fim da tarde, a presidente participou de outra inaguração, do Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador, e enalteceu ainda mais as realizações do seu governo e a parceria com o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. A nova unidade de saúde, com 120 leitos, tem capacidade para 6.000 consultas e oferecerá, entre outras especialidades, tratamento a dependentes de drogas. “É importante combater o crack. O crack destrói os jovens, a vida e o futuro deles”, destacou.

(Atualizada às 19h15)

Continua após a publicidade

Leia também:

Lindbergh e Garotinho cortejam o PV no Rio para 2014

Em campanha, Pezão assume a linha de frente dos lançamentos do governo do Rio

Lindbergh Farias põe o PT na estrada

Acabou o amor: disputa pelo governo do Rio põe PT e PMDB em lados opostos

(Com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade
Publicidade