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No debate entre Tarso e Sartori no RS, sobrou até para as mães

Em busca de fôlego na reta final da campanha, o petista repetiu durante o debate a estratégia de atacar o adversário e seu programa de governo

Por Marcela Mattos 17 out 2014, 07h35

A dez dias das eleições, o debate realizado entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul inaugurou uma batalha para além das propostas de governo e foi parar dentro de casa: mais especificamente, nos conselhos dados pelas mães dos políticos. Durante encontro realizado pela TV Bandeirantes nesta quinta-feira, o governador Tarso Genro (PT), candidato à reeleição, e seu adversário José Ivo Sartori (PMDB) protagonizaram uma sequência de alfinetadas ao relacionarem algumas decisões políticas às dicas dadas pelos familiares.

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Tarso Genro deu início à confusão: ao afirmar que o peemedebista fugia às perguntas, o petista evocou as palavras da mãe: “Ela aconselhou que eu não debatesse só o futuro, mas também o passado. Eu tenho orgulho de ter sido ministro da Justiça e da Educação. Mas o senhor, a cada vez que a gente fala que seu partido é responsável por algo, se sente ofendido”, disse o governador gaúcho.

A referência familiar foi propositada. Sartori colocou a mãe para encerrar a primeira propaganda eleitoral do segundo turno, veiculada no último sábado. Na televisão, ‘Dona’ Elsa apareceu dando conselhos: “Faz como eu te ensinei: não brigar, não falar mentira, não criticar os outros. Te mando um beijo e boa sorte pra ti”, afirmou. Sartori rebateu a provocação do petista: “Nós apresentamos um programa de governo e agora me cabe fazer perguntas. Eu nunca dissimulei nada. Se a minha mãe me ensinou alguma coisa, ela não foi induzida a fazer nada. Ela disse para eu responder todas as perguntas, mas eu não acho que tenho que transmitir ao Rio Grande do Sul todas as culpas dos problemas do passado”, disse, fazendo referência ao fato de que Tarso reiteradamente vincula o peemedebista aos problemas enfrentados em governos aos quais foi aliado, como o de Yeda Crusius (PSDB) e o de Pedro Simon (PMDB).

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O Rio Grande do Sul protagonizou um dos mais surpreendentes resultados nas urnas. Em terceiro lugar em todas as pesquisas eleitorais, o ex-prefeito de Caxias do Sul Ivo Sartori foi ao segundo turno com 40,4% dos votos válidos – Genro teve 32,5% e a senadora Ana Amélia (PP), que no início da corrida eleitoral era tida como favorita, 21,7%. De acordo com o último Datafolha, Sartori continua liderando as pesquisas: está com 60%, contra 40% do atual governador.

Em busca de fôlego na reta final da campanha, Tarso repetiu durante o debate a estratégia de atacar o adversário e seu programa de governo. Com o Estado assolado por uma dívida que gira em torno de 50 bilhões de reais, o petista afirmou que Sartori não diz como vai financiar as políticas voltadas para a saúde, a educação e segurança. “O que existe por parte do meu adversário é o não dizer, o não programa, uma dissimulação de quem não tem assunto para resolver os problemas do Rio Grande do Sul”. O peemedebista rebateu: “Tarso, um pouco de respeito fica bem em qualquer lugar e é bonito. Aliás, o senhor fica sempre olhando pra trás. Quando não serve, a culpa é dos outros. Quando serve, assume para si o que os outros iniciaram. Isso não é a boa política”, disse o peemedebista.

Já no final do encontro, as mães voltaram a ser citadas: “Está na hora de o Rio Grande se unir em torno de si mesmo e parar com essa pequenez de achar que um está sempre certo e os outros estão errados. Primeiro eu quero ser governador, depois você pode me criticar, dizer o que quiser. Enquanto estamos em um processo eleitoral eu não aceito discriminação. Nunca lhe desrespeitei. O senhor chegou até a brincar com a minha mãe, e eu a considero uma pessoa importante”, disse Sartori. Em tom de deboche, Tarso novamente respondeu: “O senhor é tão autoritário que acha que a sua mãe pode dar conselho e a minha não”, afirmou.

Segurança pública – Horas antes do debate, um soldado que cuidava da segurança pessoal de Sartori foi assassinado dentro de um ônibus. O ocorrido foi citado após Tarso ser questionado sobre segurança pública e afirmar que houve avanços no combate aos homicídios. Sartori rebateu lamentando o assassinato e disse que no governo do petista “todos os indicadores apontam para o aumento da criminalidade”. Sem direito a tréplica, o governador não comentou o caso. Ainda assim, o episódio gerou desconforto entre os assessores.

Militantes – Em rota de colisão durante os quatro blocos de debate, Sartori e Tarso apenas se igualaram na saída da sede da TV Bandeirantes. Primeiro a deixar o local, o petista fez questão de descer do carro e cumprimentar dezenas de militantes que o esperaram do lado de fora, já quase no início da madrugada. No carro de trás, Sartori fez o mesmo: parou o carro para abraçar e tirar fotos com os apoiadores.

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