‘Não vamos ficar calados’, diz líder do PSB sobre ataques do PT a Campos

Vice-presidente do PSB e um dos articuladores da candidatura de Eduardo Campos à Presidência, o deputado Beto Albuquerque promete retaliação ao PT pelos ataques ao governador de Pernambuco

Por Marcela Mattos - 8 jan 2014, 18h48

Oficialmente, a campanha eleitoral só terá início no segundo semestre, mas o PT já recorreu a uma de suas principais táticas em ano de eleições: os ataques a adversários nas redes sociais. Nesta terça-feira, o partido publicou em sua página no Facebook um texto no qual chama de “tolo”, entre outras críticas, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), potencial adversário da presidente Dilma Rousseff em outubro. O texto é apócrifo, mas poderia levar as assinaturas de boa parte dos dirigentes do partido, descontentes com o desembarque de Campos do governo Dilma para concorrer ao Palácio do Planalto. Líder do PSB e um dos articuladores da candidatura de Campos, o deputado Beto Albuquerque (RS) rebateu: “É o PT que nos deve gratidão. Desde 1989, quando o PT não tinha nada, nós apoiamos o partido nas derrotas e nas vitórias”, disse. “Não vamos jogar com as mesmas ferramentas que o PT, mas também não vamos ficar calados.” E qual será a reação do PSB? Albuquerque responde: “Nós nos propusemos a ser independentes e colaborativos, mas pelo visto eles não querem. Então, se eles não querem, vamos fazer o papel da oposição”. Leia a entrevista ao site de VEJA.

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Como o PSB recebeu a nota do PT? Fomos surpreendidos no começo do ano eleitoral por uma atitude desqualificada e com um método que a sociedade brasileira não avaliza mais, que é o método de ataques pessoais. Mas nós não vamos morder a isca da baixaria dos ataques pessoais. Nas disputas de 2010, o Brasil ficou de lado e os políticos ocuparam o centro fazendo acusações pessoais uns aos outros. Para nós, em 2014, o Brasil tem que ficar no centro e os políticos sérios e bem intencionados vão ter que mostrar como resolver os problemas.

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Houve algum desconforto entre os partidos nos últimos dias que justifique essa atitude do PT? Não há nenhum mal-estar, e isso é o que mais nos surpreende. De nossa parte, não houve nenhum comportamento que justificasse esse tipo de ataque vil, desqualificado e arrogante. Eles foram super arrogantes ao insinuar que, quando o PT distribui dinheiro ao governante, o governante é bom. O dinheiro é público, o governo federal tem de distribuir recursos para todos os governadores de todos os partidos. Esse dinheiro público dá resultado onde o administrador é competente. Ninguém é tolo em pensar que os governos do PSB receberam mais recursos que os do PT. Agora, qual é o governo do PT que tem sucesso? Qual é o governante do PT nesse momento que tem a aprovação que o Eduardo Campos tem?

Qual a intenção por trás dessa atitude do PT? Sinceramente, não sei. Mas acho que essa ação tem a ver com o diagnóstico de que eles podem perder a eleição e estão tentando, de forma errada e precipitada, fazer esse tipo de confronto pessoal. O desespero está do outro lado, o lado do PT. Nós vamos continuar marchando no nosso ritmo, debatendo os nossos assuntos. Nós não vamos ser pilhados por essa velha tática sanguinária e desrespeitosa.

Quando anunciou o fim da aliança com o PT, o PSB falou em clima amistoso no Congresso. Como fica a relação daqui para a frente? No fim do ano passado, saímos do governo e não nos transformamos em oposição raivosa. Fomos colaborativos, ajudamos na votação do Mais Médicos e de outros projetos importantes. Mas o governo, raivoso e vingativo, praticamente cortou as emendas dos deputados do PSB pela metade. Já nos passaram para trás. Agora, com essa nota, vamos ter um ano que promete na Câmara…

O que o senhor quer dizer com “promete”? Nós nos propusemos a ser independentes e colaborativos, mas, pelo visto, eles não querem. Então, se eles não querem, nós vamos fazer o papel da oposição. Vou reunir a bancada no começo de fevereiro e nós vamos avaliar a situação e discutir como vamos nos posicionar. Nós não vamos jogar com as mesmas ferramentas que o PT, mas também não vamos ficar calados. Nós fomos amistosos até hoje, porque o nosso propósito não é olhar para trás, é olhar para frente. A decisão de sair do governo e criar uma relação amistosa, eleger pautas que podem ser comuns, isso nós fizemos muito à vontade. Mas parece que isso não mudou em nada a visão do PT. Eles nos trataram pior que oposição.

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O PSB, então, vai virar oposição no Congresso? Não estou declarando que sou oposição e agora tudo que for do governo eu serei contra. Estou dizendo que com o comportamento do governo no fim do ano e este documento agressivo e desqualificado, muda o tom. Nós vamos avaliar o nosso comportamento daqui para a frente na Câmara e no Senado, o que poderá interferir nas votações.

O PT foi ingrato? Esse assunto de que ‘Nós somos bons e os outros não prestam’ é assunto vencido. Nós estamos exercendo um direito nosso como partido e não devemos obrigação a ninguém. Ao contrário: é o PT que nos deve gratidão. Nós, desde 1989, quando o PT não tinha nada, apoiamos o partido nas derrotas e nas vitórias. Eles dizem que nós cuspimos no prato que comemos porque estivemos no governo, como se isso explicasse o crescimento do PSB, o que é uma visão totalmente equivocada. A Dilma fez 2,5 milhões a mais de votos em Pernambuco não foi só pelos militantes do PT na última eleição, foi pelo envolvimento do PSB. Nós não estamos cobrando nada. Não achamos que eles nos devam nada e também achamos indevido que nos cobrem em qualquer coisa. Só não precisa baixar o nível.

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