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Na contramão da mudança diplomática, Dilma não receberá nobel da paz iraniana

Shirin Ebadi estará em Brasília na terça-feira, mas encontro com a presidente está fora da agenda. Preocupação do Itamaraty é com "mensagem errada"

Por Da Redação
5 jun 2011, 12h20

A bandeira dos direitos humanos levantada durante as eleições presidenciais por Dilma Rousseff, ativista na luta contra a ditadura militar brasileira, será temporariamente guardada durante esta semana em nome da diplomacia. A presidente decidiu não se encontrar com a advogada iraniana e Nobel da Paz Shirin Ebadi, que chega ao Brasil na terça-feira. Ela, que é a principal voz da oposição a Teerã no exílio, será recepcionada no Palácio do Planalto apenas pelo assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Coincidentemente, nesta segunda-feira, Dilma terá um encontro capaz de causar urticárias em quem defende questões ligadas aos direitos humanos. Chega a Brasília o ditador venezuelano Hugo Chávez, que enfrenta, em seu país, uma crise que desgasta sua popularidade.

Shirin falará na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo e em uma audiência na Câmara dos Deputados. Ela terá ainda um almoço em Porto Alegre com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e com o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT). Em 2003, ela ganhou o Nobel da Paz por sua atuação em Teerã, mas, com a eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2005, o cerco a dissidentes iranianos fechou-se ainda mais e Shirin partiu para o exílio. Hoje ela vive entre a Grã-Bretanha, os EUA e o Canadá. Esta será a primeira vez de Shirin no Brasil.

“Se Dilma defende os direitos humanos e as mulheres, ela me receberá”, disse a iraniana em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. O governo brasileiro, porém, acredita que receber a ativista enviaria “a mensagem errada”.

A decisão do Planalto dá novo rumo à diplomacia para os direitos humanos que Dilma vinha conduzindo até agora. Antes de tomar posse, a presidente criticou publicamente a abstenção do Itamaraty em uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU condenando o apedrejamento de mulheres no Irã. Dilma chamou de “ato bárbaro” a lapidação, posição reiterada em entrevista ao jornal Washington Post.

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Em março, Dilma rompeu com o padrão de voto do governo Lula nas Nações Unidas e apoiou a criação de um relator especial para o Irã – sob críticas do ex-chanceler Celso Amorim. Uma semana depois, Shirin foi convidada a um jantar na embaixada do Brasil em Genebra.

Oficialmente, o Planalto justifica que, pelo protocolo, a presidente recebe apenas chefes de Estado e de governo. Nos bastidores, porém, o governo diz que receber Shirin seria colocar o Brasil dentro de uma disputa interna delicada pelo fato de, desde janeiro, terem chegado ao país alguns dissidentes.

(Com Agência Estado)

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