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MP diz que grupo de Assad ‘lavou’ R$ 40 mi

Empresário preso comandava "um grupo profissional dedicado à lavagem de dinheiro", segundo o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato

Por Laryssa Borges 16 mar 2015, 15h29

O grupo do empresário Adir Assad atuou na lavagem de pelo menos 40 milhões de reais em dinheiro desviado da Petrobras nas obras da refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), segundo as investigações do Ministério Públicio Federal no Paraná. De março de 2009 a março de 2012, o grupo de Assad utilizou empresas de fachada para lavar dinheiro das obras na Repar contratadas do Consórcio Interpar, formado pelas empresas MPE, Mendes Júnior e SOG. Na triangulação do esquema, a propina arrecadada na obra acabava nas mãos do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e do ex-gerente Pedro Barusco. Essas conclusões foram apresentadas pelo Ministério Público ao juiz Sergio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato na primeira instância. Para o magistrado, porém, as provas recolhidas indicam que os tentáculos do grupo criminoso dirigido por Assad não se restringiam à Repar.

O executivo Augusto Ribeiro, que firmou acordo de delação premiada, confirmou, em depoimento, o pagamento de propina na Repar para Renato Duque por meio de contratos fantasmas com as empresas Legend, Soterra, Power, SM Terraplanagem e Rockstar. Adir Assad fazia parte do quadro social das empresas Legend, Power To Ten e Rock Star, utilizadas, segundo o MP, para lavar dinheiro do propinosuto. Em 2013, VEJA revelou como ele financiava candidatos e como havia recebido mais de 200 milhões de reais da construtora Delta e de outras empreiteiras.

“As circunstâncias em torno dos fatos, com a abertura e utilização de pelo menos cinco empresas de fachada, com simulação de contratos de prestação de serviços e emissão de dezenas de notas fiscais fraudulentas, indicam habitualidade e profissionalismo na prática de crimes graves, de lavagem e corrupção”, disse o juiz Sergio Moro ao decretar a prisão preventiva de Assad.

O juiz declarou haver indícios de que o grupo praticou crimes de lavagem de dinheiro e corrupção e afirmou ter a “conclusão segura” de que as companhias do empresário “seriam utilizadas por um mesmo grupo criminoso dedicado à lavagem de dinheiro e à intermediação de propinas”. Para Moro, as sucessivas informações de empresários atuando para sangrar a Petrobras mostram um “quadro de corrupção e lavagem de dinheiro sistêmicas”.

“Grandes empreiteiras do país se reuniam, acertavam entre elas os resultados das licitações da Petrobras, fraudavam as licitações para que a empresa previamente definida ganhasse o certame e para impor o seu preço nas obras, pagavam, em cada grande contrato da Petrobrás, propinas dirigidas a diretores e empregados da Petrobras e a agentes públicos e entregavam os valores a profissionais da lavagem”, relatou Moro.

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O magistrado ainda justificou as prisões preventivas como a forma de estancar o esquema criminoso e pagamentos milionários de propinas. Ele lembra que os repasses feitos pelas empreiteiras citadas nas investigações continuaram normalmente mesmo com a deflagração da Operação Lava Jato, em março do ano passado. “O mais assustador é que o delator Shinko Nakandakari [que operava para a Galvão Engenharia] confessou o pagamento de propinas ainda no segundo semestre de 2014, quando a assim denominada Operação Lava Jato já havia ganhado notoriedade na imprensa. Indagado, admitiu que, mesmo com a notoriedade da investigação, nem ele ou a empreiteira sentiram-se tolhidos em persistir no pagamento de propinas”, destacou o juiz. “O grupo criminoso dirigido por Adir Assad insere-se neste contexto”, completou ele.

Renato Duque – O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, apontado pelos investigadores da Lava Jato como um dos principais arrecadadores de propina do PT, também foi preso nesta segunda-feira, na décima fase da operação, batizada de “Que país é esse?” – o título faz referência à frase que Duque teria dito a seu advogado em novembro passado, quando foi preso pela primeira vez.

A prisão foi decretada depois que a força-tarefa da Lava Jato encontrou em Mônaco a fortuna que Duque limpou de contas na Suíça – documentos recebidos pelas autoridades brasileiras comprovam a movimentação do dinheiro no país europeu. Foram bloqueados 20 milhões de euros (67,8 milhões de reais) nas contas de Duque no principado. O Ministério Público verificou que, mesmo depois de deflagrada a operação, Duque seguiu desviando dinheiro de suas contas no exterior.

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