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Mônica Moura depõe por quatro horas e João Santana será ouvido amanhã

Mulher e sócia do marqueteiro negou que os 7,5 milhões de dólares recebidos pelo casal por meio de uma offshore no Panamá sejam fruto da corrupção na Petrobras

Por Da Redação - 24 fev 2016, 20h40

A mulher e sócia do marqueteiro petista João Santana, Mônica Moura, depôs nesta quarta-feira por cerca de quatro horas na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e negou que os cerca de 7,5 milhões de dólares encontrados pelos investigadores da Lava Jato em contas deles no exterior tenham relação com o propinoduto da Petrobras. Mônica disse que os valores foram obtidos de forma legal e que não envolvem serviços de propaganda a campanhas brasileiras, embora parte dos repasses feitos pelo operador de propinas Zwi Skornicki ao casal Santana tenha ocorrido entre julho e novembro de 2014, quando eles atuavam na campanha à reeleição da petista Dilma Rousseff.

O marqueteiro e conselheiro dilmista trabalhou nas duas campanhas presidenciais da petista, na campanha de Lula em 2006 e na eleição do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), em 2012. João Santana também seria ouvido nesta quarta pelos policiais, mas a oitiva dele acabou adiada para as 9h30 desta quinta-feira.

“Eles não são lavadores de dinheiro, não são corruptos e nunca tiveram contrato com o poder público. São trabalhadores honestos, gostem ou não dos clientes deles. Os recursos são lícitos e não envolvem campanhas brasileiras”, disse o criminalista Fabio Tofic. Segundo o defensor, Mônica “demonstrou a movimentação da conta e dos recursos no exterior”.

A linha de defesa do marqueteiro é admitir que João Santana não declarou os recursos no exterior, o que poderia configurar crime de evasão de divisas. Com isso, a ideia é tentar se livrar da acusação de lavagem de dinheiro, delito mais grave e com penas mais altas.

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“Mônica e João estão presos por um crime de manutenção de conta não declarada no exterior, um crime pelo qual não existe nenhuma pessoa presa neste país. Não vou dizer que é um crime leve, mas não enseja a prisão de qualquer cidadão neste país. Eles receberam recursos lícitos pelo trabalho honesto que fizeram ao longo de anos”, disse o advogado.

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Santana retificou em 2015 suas declarações de Imposto de Renda de 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014. Nas declarações retificadoras à Receita Federal, o publicitário acrescentou a seus bens quatro empresas no exterior, mas omitiu do fisco brasileiro a posse da empresa offshore Shellbill Finance S.A, por meio da qual recebeu 7,5 milhões de dólares no exterior de offshores da Odebrecht e do operador de propinas Zwi Skornicki.

Na retificação enviada à Receita no ano passado, João Santana adicionou a sua declaração de 2010 60% de participação societária na Polistepeque Comunicacion y Marketing S.A, aberta em junho de 2009 em El Salvador com capital de 2.000 dólares. Ainda na correção da declaração de 2010, Santana informou ao fisco ser um dos donos da Polis Caribe Comunicacion y Marketing, sediada na República Dominicana, onde o marqueteiro trabalhava na campanha do presidente Danilo Medina até o mandado de prisão emitido por Sergio Moro. Em El Salvador, João Santana trabalhou na campanha que elegeu o ex-presidente Mauricio Funes, em 2009.

O marqueteiro retificou à declaração de imposto de renda de 2013 ser dono de 60% da Polis America S.A, com capital declarado de 10.000 dólares. A empresa está sediada no Panamá, país onde, em 2014, pela primeira e única vez, um candidato conduzido por Santana sofreu uma derrota no plano presidencial. João Santana também declarou ser dono de 90% do capital de 80.000 dólares da Polis Propaganda na Argentina, constituída em abril de 2003.

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