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Ministro da Justiça intercedeu por Maluf em processo nos EUA

Segundo jornal, Cardozo encaminhou pedido à Justiça americana para que o deputado pudesse ser ouvido no Brasil

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, intercedeu em favor do deputado federal Paulo Maluf (PP) em processo a que o parlamentar responde na Justiça dos Estados Unidos. De acordo com reportagem desta quinta-feira do jornal Folha de S. Paulo, Cardozo enviou um comunicado para o governo americano perguntando se havia possibilidade de Maluf ser ouvido no Brasil. A informação foi revelada pelo deputado e confirmada ao jornal pela pasta.

Segundo a reportagem, Maluf e seus defensores procuraram Cardozo mais de uma vez nos últimos dois anos para tratar sobre o pedido. O deputado é citado em um caso de evasão de divisas e a Justiça dos Estados Unidos o trata como foragido – seu nome consta na lista de procurados pela Interpol. Maluf nega todas as acusações. A busca por auxílio teve início justamente na época em que o deputado selou o apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. Na esfera federal, a sigla presidida por Maluf é aliada à presidente Dilma Rousseff.

O Ministério da Justiça reconhece que Cardozo atendeu ao pedido feito pelo próprio Maluf. Segundo o órgão, o procedimento seria o mesmo adotado em relação a qualquer brasileiro que se enquadrasse nessa situação: ter residência fixa, constar na lista da Interpol e requerer o direito de ser ouvido no Brasil. O caso de Maluf, contudo, é único até aqui.

A Justiça americana negou o pedido de Maluf, mas, mesmo assim, o deputado continuou a pedir ajuda ao Ministério da Justiça. Os advogados de Maluf, em uma nova manobra, tentam marcar uma videoconferência para que o político possa ser ouvido por um juiz brasileiro. “Não sou procurado por eles por ser condenado. Sou procurado porque eles querem minha oitiva. O estranho é que um brasileiro não tem a mesma defesa do governo brasileiro que teve o Cesare Battisti [terrorista italiano], este sim criminoso”, afirma Maluf. O deputado, de 82 anos, vai disputar nesse ano o quarto mandato na Câmara.

Resposta – O Ministério da Justiça reafirmou, em nota divulgada na tarde desta quinta-feira, que adotou o procedimento padrão para casos do tipo. “Ao contrário do que sugere a matéria em questão, o procedimento realizado pelo Ministério da Justiça foi rigorosamente adequado e não qualifica qualquer beneficiamento extraordinário ao parlamentar interessado”, diz o texto.