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Ministério Público cobra nova investigação para apurar se Elize recebeu ajuda

Investigação pretende descobrir se mulher de Marcos Matsunaga agiu sozinha no esquartejamento do marido

Quase cinco meses após a prisão preventiva de Elize Araújo Kitano Matsunaga, ré confessa do assassinato de seu marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, o Ministério Público de São Paulo recebeu laudos que indicam a presença de uma terceira pessoa na cena do crime. A promotoria deve pedir, nesta quarta-feira, para a Polícia Civil de São Paulo instaurar um novo inquérito, com o objetivo de investigar se ela teve a ajuda de outra pessoa para executar o crime no dia 19 de maio.

Com base nos resultados do Laudo Necroscópico, elaborado no cadáver de Marcos, o promotor José Carlos Cosenzo vai encaminhar o pedido da nova investigação ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O documento relata que os cortes abaixo do abdômen do empresário, incluindo os membros inferiores, denotam grau de conhecimento em anatomia, enquanto outras secções foram claramente executadas por uma pessoa leiga. De acordo com Cosenzo, essa falta de linearidade pode indicar que Elise teria sido ajudada por alguém na ocultação e destruição do cadáver de Marcos. “Não há nenhuma dúvida que o homicídio ela praticou sozinha. Esse indivíduo a auxiliou apenas nos atos posteriores”, disse.

O promotor explicou que a mulher de Matsunaga afirmou, em depoimento na época do crime, que, por ter trabalhado na área da saúde, detém conhecimento técnico em anatomia. Portanto, um eventual parceiro da acusada seria o autor dos cortes grosseiros identificados pelo legista.

Material genético – O Ministério Público recebeu os resultados dos exames de DNA em setembro. A análise de materiais biológicos encontrados no apartamento do casal na Vila Leopoldina, em São Paulo, foi realizada pela perita Roberta Casemiro da Rocha Hirschfeld, que encontrou materiais genéticos de três pessoas. Um deles se encaixa perfeitamente com o perfil da vítima. Os outros dois são de um homem e uma mulher.

“Sabemos que o material genético da mulher pode ser de Elise. As investigações terão que encontrar quem é esse terceiro elemento do sexo masculino”, afirmou Cosenzo. Ele explica que o novo inquérito deverá apurar se o DNA desse terceiro elemento foi deixado no local na data do crime ou antes dele. Com isso, poderá se certificar que além de Elise e Marcos, outra pessoa estava na cena no dia 19 de maio.

Sem mudanças – Mesmo com a identificação da participação de um terceiro elemento na ocultação do corpo de Marcos Matsunaga, a situação de Elise judicialmente não vai se alterar. Ela responde por homicídio triplamente qualificado e por destruição e ocultação de cadáver. “As novas diligências não pretendem mudar a autoria, motivação e materialidade do crime, mas apenas investigar uma possível coautoria”, disse Cosenzo. O Ministério Público quer evitar que um culpado fique impune.

Caso Yoki- O empresário Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, foi vítima de um crime que chamou a atenção de todo o Brasil. Diretor executivo da Yoki, uma gigante do setor de alimentos, ele foi morto e esquartejado pela própria mulher, a bacharel em direto Elize Kitano Matsunaga. Ao confessar o assassinato, Elize contou à polícia ter retalhado a vítma no quarto de hóspedes da cobertura onde o casal morava na capital paulista. Elize, que conheceu o marido quando trabalhava como garota de programa, alegou ciúme como motivo do crime, pois tinha descoberto que o marido a estava traindo com outra prostituta.