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Mendes Ribeiro diz que vai mudar ‘o que for necessário’

Segundo novo ministro da Agricultura, gestão será política; o antecessor, Wagner Rossi, chamou Mendes Ribeiro de 'amigo' e recebeu elogios de Dilma

Por Adriana Caitano - 23 ago 2011, 12h53

Ao tomar posse, nesta terça-feira, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, destacou que, por não ser produtor rural, assumirá uma gestão essencialmente política. Ele tentou confrontar as críticas de que não tem conhecimento na área. “Fiz toda a minha vida como político e me orgulho de dizer que sou um político”, afirmou, em discurso. “Minhas bases políticas estão fortemente vinculadas às regiões agrícolas. Conheço essa realidade e as dificuldades que enfrentam os que vivem na terra”. Mendes Ribeiro assumiu a pasta no lugar de Wagner Rossi, que pediu demissão na semana passada após uma enxurrada de escândalos.

Mendes não apresentou propostas para o setor e disse que não faria uma completa reforma na pasta. “Não esperem de mim hoje um programa de governo com metas e planos detalhados, concebido em três dias desde minha indicação”, disse. “E não posso chegar ao ministério com a obrigação, tão falsa quanto antiga, de querer mudar o que não precisa. Guardarei as mudanças para o que for necessário”, completou. Ainda assim, deixou claro que fará alterações pontuais: “Vou buscar a melhor equipe disponível, os mais qualificados”.

O novo ministro disse que irá priorizar o diálogo e a busca por recursos para o setor. “Gestão e política precisam andar juntas. Só gestão, sem proteção política, implica o emperramento e o resultado zero. E a política, sem gestão, implica desperdício e mau resultado”, afirmou.

Despedida – O primeiro a discursar foi Wagner Rossi. O espaço dado a ele serviu para, na frente de parlamentares, ministros, agricultores e outros representantes do setor, fazer um balanço de sua gestão. Em sua fala, exaltou os feitos da pasta nos últimos anos, listando números no setor agrícola, como o superávit de 80 bilhões em 2011.

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Com um tom quase exaltado, Rossi rasgou inúmeros elogios à presidente Dilma Rousseff, ao vice, Michel Temer, e ao novo ministro. “É raro alguém que tenha poder de decisão tomá-la com tanta solidariedade, ficando do lado de quem está saindo”, disse, referindo-se a Dilma. “Tenho certeza de que Mendes, meu amigo, comandará o ministério muito melhor e mais brilhantemente do que eu pude fazer”.

Apesar dos escândalos de corrupção que varreram a pasta no último mês, a presidente Dilma Rousseff também elogiou o ex-ministro. “Agradeço sua colaboração. Ao deixar meu governo, Wagner Rossi deixa também uma herança de êxitos e bons resultados”, comentou. Dilma ainda agradeceu Mendes Ribeiro por aceitar o desafio. “A sua escolha é oportuna e feliz. Acompanho sua trajetória profissional, adquirindo imensa experiência e garantindo a implementação de políticas”, destacou.

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