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Marinha usará mapeamento aéreo para entrar na Rocinha com blindados

Fuzileiros navais levarão 194 homens e 18 blindados para operação neste domingo. "Nossa estratégia será a de ações simultâneas, para causar desordem entre os bandidos", diz oficial que comandará a ação

Por Cecília Ritto 12 nov 2011, 15h38

“Talvez mísseis possam perfurá-los, mas não tenho conhecimento de armamento que afetou esses veículos”, afirma Yerson, sobre os blindados

Na madrugada deste domingo, 194 militares da Marinha participarão da ocupação das favelas da Rocinha, do Vidigal e Chácara do Céu, que, para as Forças Armadas, foi batizada de “Operação Rio IV” – o governo do estado chama a ação de “choque de Paz”. O nome se deve às três ocupações anteriores na qual atuaram fuzileiros navais – na Vila Cruzeiro e no Alemão, no Complexo de São Carlos e, por último, na Mangueira. As experiências anteriores possibilitaram, segundo o capitão de mar e guerra Yerson de Oliveira Neto, que comandará a ação, um aprimoramento nas estratégias para penetrar em favelas.

“O ambiente urbano oferece complexidade”, disse o oficial. “Mas as experiências anteriores contribuem para que nosso trabalho seja ainda melhor. Estamos prontos. Se nos disserem para sair agora, nós sairemos”, avisou, com a determinação típica de quem é preparado para a guerra.

Pelas palavras de Yerson, a ocupação da Rocinha tem mesmo características de guerra. “Tivemos a informação de que os bandidos estão bem armados e que, se preciso, morreriam para resistir. Nossa estratégia será a de ações simultâneas, para causar desordem entre os bandidos”, explicou.

Apesar da dificuldade de operar em um cenário urbano, no meio de uma região rodeada por residênias e comércio de luxo, à margem de uma estrada vital para o trânsito do Rio – a Auto-Estrada Laga-Barra – a tomada da Rocinha foi planejada com antecedência. Para conseguir deslocar os blindados nas ruelas das favelas, foi feito recentemente um mapeamento aéreo, que detalhou os melhores caminhos e apontou riscos para as equipes que vão se infiltrar e enfrentar uma possível resistência do tráfico. “Em 9 de novembro fizemos um levantamento aéreo da favela, para traçar o plano de entrada dos blindados. No Alemão não tivemos isso, pois foi uma operação com apenas 12 horas de preparação”, explicou o capitão.

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O blindado 'Piranha', que será usado para transporte das tropas na ocupação da favela da Rocinha
O blindado ‘Piranha’, que será usado para transporte das tropas na ocupação da favela da Rocinha VEJA

Na Rocinha, no Vidigal e na Chácara do Céu, estará em ação o maior efetivo já mobilizado pela Marinha para uma operação desse tipo. Dezenove oficiais e 175 praças acompanharão os policiais estaduais e federais na ocupação. Ao todo, 18 veículos blindados serão mobilizados – com a missão de transportar em segurança policiais e fuzileiros que vão ocupar as favelas.

O capitão Yerson afirma que, dentro dos veículos, a segurança é total. Os veículos resitem a armamento pesado. “Talvez mísseis possam perfurá-los, mas não tenho conhecimento de armamento que afetou esses veículos”, afirma. “Os blindados são mudos e cegos, são capazes de esmagar alguém. Falei para meus militares sobre o poder que eles têm em mãos. Nossos militares, desde o soldado, têm que ter o entendimento do que vão fazer. Existem alvos e os que não são alvos, aqueles que não podem morrer. E que, se morrerem, será um crime. Nossas tropas têm que saber o que é legal e o que não é, o que é crime e o que não é”, disse.

Blindados – Dentro dos blindados, a preocupação não é com o tiro que vem de fora, mas com a possibilidade de disparos acidentais dentro do veículo. “Fizemos uma reunião com o Batalhão de Choque e com o Bope, por causa da preocupação com a possibilidade de a arma de um dos policiais ser disparada dentro do carro. Fizemos todo um adestramento com eles”, explica Yerson.

Dos 18 blindados, seis são lagartas M-113, que pesam 12 toneladas e levam, cada uma 13 pessoas. Sete são as lagartas anfíbios Clanf, que pesam 22 toneladas e transportam 25 pessoas. Quatro são os ‘Piranha’, que pesam 18 toneladas e têm capacidade para 13 pessoas – reservados para transporte dos policiais. O 18º veículo é um caminhão, usado para dar apoio com material de oficina.

Os veículos operam com auxílio dos helicópteros da polícia, que ajudam na comunicação entre o comando da operação e os militares que estão nos veículos, informando a localização exata de cada um deles.

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