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Manifestantes planejam pintar os rostos para driblar restrição às máscaras

Pelo Facebook, grupo ensina técnicas de maquiagem para tentar escapar da PM nos protestos no Rio. Ministério Público, no entanto, alerta que qualquer forma de cobrir o rosto pode ser considerada ocultação de identidade

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro 4 set 2013, 20h38

A partir da decisão judicial que obriga os mascarados a apresentarem identificação aos policiais militares, manifestantes começam a preparar, no Rio de Janeiro, uma estratégia para tentar driblar a nova regra. Pelo Facebook, na página Anonymous RJ, começou na tarde desta quarta-feira um movimento defendendo o uso de tinta e maquiagem, como forma de ocultar identidades e impedir que policiais conduzam pessoas de rostos cobertos até uma delegacia.

“Censuraram as máscaras, mas não as tintas. Basta pintar o rosto. Ninguém será preso! Vide a banda Kiss. Ficam totalmente diferentes com e sem a pintura”, escreveu uma jovem, na página da rede social. Um das publicações exibe imagens de tintas específicas para a pintura do rosto. A tintura é normalmente utilizada em pinturas de rosto de crianças e palhaços.

O Ministério Público, que propôs à Justiça a obrigação de identificação dos mascarados, interpreta, no entanto, que o uso de tintas tem o mesmo efeito das máscaras, e sujeita os manifestantes às mesmas regras. A decisão, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça, no entanto, não se refere ao uso de tintas. O texto autoriza a identificação civil e criminal dos que estiverem “usando máscaras, capuzes ou lenços em seus rostos, que se deslocarem, sob qualquer pretexto em manifestações populares”.

Black Bloc – Três jovens ligados ao movimento Black Bloc foram presos na manhã desta quarta-feira, acusados de depredação de patrimônio durante protestos no Rio de Janeiro. Os suspeitos admitiram ser responsáveis pela administração da página “Black Bloc RJ” no Facebook, um dos canais usados para convocar manifestações e defender atos de depredação como forma de manifestação. Um deles, de 21 anos, disse ser um dos líderes do movimento. Outros dois menores foram apreendidos. Um quarto acusado, maior de idade, é considerado foragido e tem mandado de prisão expedido pela Justiça. Segundo a polícia, ele estaria na Bolívia no momento. Os nomes dos suspeitos não foram revelados, pois o processo corre em segredo de Justiça.

As prisões ocorrem a três dias de um protesto programado para todo o Brasil e com eventos anunciados para o Rio de Janeiro. Forças de segurança e autoridades civis e militares estão empenhadas para evitar que o 7 de Setembro seja marcado por mais protestos e destruição na cidade. Todos os detidos responderão por formação de quadrilha armada – crime inafiançável – e incitação à violência.

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