Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Lula evita imprensa e escala aliado para falar do mensalão

Tática é adotada após publicação de reportagem de VEJA que revelou que Marcos Valério tem dito a interlocutores que 'Lula era chefe' do esquema

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT adotaram uma tática clara para tratar do mensalão neste domingo, um dia depois da publicação da edição de VEJA que revela, em sua reportagem de capa, que o empresário Marcos Valério vem repetindo a interlocutores que “Lula era o chefe” do esquema de desvio de verbas públicas e compra de apoio parlamentar. Valério já foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e peculato no julgamento do mensalão.

O ex-presidente evitou a imprensa ao chegar ao Centro de Tradições Nordestinas, na zona norte de São Paulo, para evento de promoção do candidato do PT à Prefeitura paulistana, Fernando Haddad. Protegido pelos seguranças, Lula se encaminhou diretamente ao camarote destinado às autoridades.

Leia mais:

Marcos Valério envolve Lula no mensalão

Das alas do PT, o governador da Bahia, Jaques Wagner, foi escalado para o papel de defensor do ex-presidente. Wagner disse que Lula jamais esteve com Valério; o empresário condenado, contudo, tem descrito em detalhes o esquema do mensalão dentro do PT. Ele afirma, por exemplo, que passaram pelo esquema criminoso pelo menos 350 milhões de reais, o triplo do valor descoberto pelo Ministério Público.

Wagner tentou ainda demonstrar confiança. Disse que não acredita que o julgamento do mensalão – cujo veredicto já condenou um petista influente, o deputado João Paulo Cunha – vai influenciar o desempenho do PT nas eleições municipais de outubro. “(O julgamento) não provocará um tsunami eleitoral no PT.”

Lula esteve com Wagner na sexta-feira, quando chegou à capital baiana para participar de atos da campanha eleitoral. Segundo o relato do governador, foi nesse momento que o ex-presidente soube da reportagem de VEJA.

Eleições – Wagner foi um dos governadores convidados para o almoço que marcou o ingresso do colega pernambucano, Eduardo Campos (PSB), na campanha de Haddad em São Paulo. Mais do que isso: o evento foi organizado para selar a paz entre PT e PSB.

Embora os socialistas tenham sido os primeiros a fazer aliança com o PT em torno de Haddad, a relação entre o ex-presidente Lula e o governador ficou estremecida depois que Campos rompeu a aliança com os petistas e lançou candidato próprio em Recife. De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada nesta quarta-feira, Geraldo Julio, do PSB, tem 34% das intenções de votos contra 23% de Humberto Costa (PT).

“Isso é normal na política”, disse Campos. Ele negou ainda a intenção de se candidatar à sucessão da presidente Dilma Rousseff, em 2014. “No plano nacional, os planos continuam os mesmos.”

Costa também desembarcou em São Paulo para participar do almoço. Onze pontos atrás do candidato de Campos, o petista teme que o adversário use imagens do encontro e depoimentos de Lula nos programas de TV. Não é à toa: o governador pernambucano desembarcou na capital paulista com uma equipe de jornalistas e cinegrafistas.

“Tem muita gente de fora gostando dessa intriga”, disse Wagner, sobre as rusgas entre PT e PSB em algumas das principais cidades do Nordeste. “Se o PSB achar que é hora de ter caminho próprio, é direito deles”, disse. “Briga nacional entre partidos dura um mês passada a eleição; briga estadual dura três meses e a municipal não acaba nunca.”

Um camarote para cerca de 200 pessoas no CTN foi reservado para receber os convidados de Lula e Haddad. O governador Cid Gomes, do Ceará, que também rompeu com o PT e lançou candidatura própria à prefeitura de Fortaleza, e demais governadores do Nordeste que compõem a base do governo Dilma foram convidados. Cid, porém, não compareceu ao evento por estar fora do país.