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Lava Jato mira propinas em contrato de quase US$ 2 bi e atuação de operador do PMDB

Investigadores apuram irregularidades no contrato de navios sonda pela Petrobras e a atuação de operador suspeito de movimentar propinas de até US$ 30 milhões no petrolão

Por Laryssa Borges 21 set 2015, 11h44

Depois de levar os maiores empreiteiros do país para atrás das grades e denunciar lobistas, operadores e ex-dirigentes da Petrobras, os investigadores que atuam na Operação Lava Jato miram agora a atuação do operador João Augusto Henriques, suspeito de atuar em nome do PMDB no escândalo do petrolão e movimentar propinas no valor acima de 30 milhões de dólares. O juiz federal Sergio Moro determinou a prisão temporária de Henriques na 19ª fase da Lava Jato. Ele se entregou na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro no início da tarde.

Nesta frente de investigação, o foco são as irregularidades no contrato de navios sonda pela Petrobras no valor de mais de 1,816 bilhão de dólares e na partilha de propina a lobistas e ao ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Zelada. “Mas a investigação pode ser ampliada e atingir todos os contratos que envolveram esse operador”, disse nesta segunda-feira o delegado Igor Romário de Paula. “Há indicativos do envolvimento do PMDB, um partido que vem sendo mencionado no que diz respeito à diretoria Internacional”, afirmou ele.

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A principal suspeita contra Zelada, sucessor de Nestor Cerveró na petroleira, é a de ele ter recebido propina para beneficiar a empresa americana Vantage Drilling no contrato de afretamento do navio-sonda Titanium Explorer. Além de Zelada, o ex-diretor geral da área Internacional da estatal Eduardo Musa, os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Felippe Junior, o executivo Hsin Chi Su e o próprio João Augusto Henriques já são réus em uma ação penal da Lava Jato.

Segundo a acusação do Ministério Público, pelo menos 31 milhões de dólares do esquema foram parar nas mãos de Zelada, de Musa e do PMDB, responsável pelo apadrinhamento político do ex-dirigente. No esquema, os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Junior e João Augusto Henriques atuavam como intermediários da negociação, sendo que cabia a Padilha pagar a parte destinada a Eduardo Musa, a Raul Schmidt depositar a propina reservada a Zelada e a João Augusto Henriques pagar o dinheiro sujo ao PMDB. Em todos os casos, a propina era enviada diretamente para contas secretas no exterior em Mônaco, Ilhas Marshall e na Suíça.

Uma auditoria interna da própria Petrobras indicou irregularidades de Jorge Zelada em benefício da empresa Vantage Drilling. Houve contratos simulados para repasse da propina, além de contas secretas no exterior usadas pelo ex-diretor para esconder dinheiro sujo do petrolão. As transações financeiras de Jorge Zelada eram investigadas mais detalhadamente desde o início do ano, quando o Ministério Público Federal achou contas secretas do ex-diretor em Mônaco com saldo de cerca de 11 milhões de euros.

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