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Lava Jato investiga repasse ilegal de empresas de Lula a filhos do ex-presidente

Dinheiro foi depositado pelo Instituto Lula às empresas G4 e Flex BR

Por Da Redação - 4 mar 2016, 12h26

Na 24ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal e o Ministério Público investigam irregularidades no repasse de dinheiro do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras, Eventos e Publicações LTDA aos filhos do ex-presidente. Os recursos foram enviados aos herdeiros do petista a partir de 2011.

Segundo as imvestigações, a G4 Entretenimento e Tecnologia Digital LTDA, que tem como sócios Fábio Luis Lula da Silva e os empresários Fernando Bittar e Kalil Bittar, recebeu 1.349.446,54 reais entre 2012 e 2014. A Flex BR Tecnologia Ltda, que tem o mesmo endereço da G4, e cujos sócios são Marcos Cláudio Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva, ambos filhos do ex-presidente, e Marlene Araújo Lula da Silva, nora do político, embolsou 72.621,20 reais da LILS. Em outro repasse, diz o Ministério Público, Luis Claudio Lula da Silva, filho de Lula investigado também na Operação Zelotes, foi beneficiado com 227.138,85 reais.

“Duas empresas ligadas a familiares de Lula receberam valores do Instituto Lula. Como o Instituto Lula recebe valores das cinco maiores empreiteiras, estamos verificando se isso não é apenas uma triangulação para benefício final da família do senhor Luiz Inácio”, explicou o procurador Carlos Fernando Lima. “Como não vemos nenhuma motivação econômica para que o Instituto Lula contrate empresas de familiares do ex-presidente, estamos verificando se esses serviços foram efetivamente prestados ou não”, completou Lima.

São alvo de investigação pagamentos de empreiteiras para o ex-presidente Lula por meio do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras e Eventos Ltda e, por extensão, repasses de parte desses valores a familiares do petista. “Muitos desses valores beneficiaram familiares do ex-presidente. Os fatos estão vinculadas a pessoas ligadas ao ex-presidente. Em decorrência desse fato e não das pessoas, as investigações prosseguem”, disse o procurador.

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Além do dinheiro aos familiares do ex-presidente, as suspeitas são de que as empresas do petista também foram usadas para camuflar caixa dois da campanha de Lula à reeleição, em 2006. Relatório produzido pelo Ministério Público indica haver indícios de que o ex-tesoureiro da campanha de Lula, José de Filippi Junior, que também foi presidente do Instituto Lula, recebeu 2,4 milhões de reais desviados do propinoduto da Petrobras para alocar na campanha. O dinheiro, neste caso, teria partido das empresas UTC Engenharia, Queiroz Galvão e IESA, conforme relato do empresário e delator da Lava Jato Ricardo Pessoa.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, cerca de 30 milhões de reais depositados no Instituto Lula e na LILS entre os anos de 2011 e 2014 partiram de empresas do Clube do Bilhão, como Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e UTC.

As investigações da Lava Jato apontam que “há fortes indícios de que ele [Lula] conhecia a origem e o destino dos recursos que trafegaram pelo instituto que leva seu nome”. “O próprio ex-presidente possui intrínseca relação com essas construtoras. Seus familiares e pessoas próximas foram destinatários de recursos dessas empreiteiras via instituto que leva o seu nome. Além disso, é provável que Lula soubesse da ligação do principal mandatário da entidade, José de Filippi Junior com empreiteiras que integravam o cartel que fraudou as licitações da Petrobras; afinal, além de presidente do instituto, ele foi tesoureiro do projeto de reeleição presidencial em 2006, sendo, por óbvio, pessoa de sua confiança”, conclui o MP.

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