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Justiça do Rio proíbe a cremação do corpo de Adriano da Nóbrega

Minutos antes da decisão, um integrante do governo Witzel disse a VEJA que ex-policial seria cremado nesta quarta-feira

Por André Siqueira, Cassio Bruno Atualizado em 25 mar 2021, 19h54 - Publicado em 12 fev 2020, 12h04

A Justiça do Rio proibiu, nesta quarta-feira, 12, a cremação do corpo do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega. O pedido havia sido feito pela mãe e pelas irmãs do ex-policial.

Em sua decisão, a juíza Maria Izabel Pena Pieranti afirmou que o pleito não atendia “aos requisitos da Lei 6.015/73, não estando acompanhado de imprescindíveis documentos”, como o Guia de Remoção de Cadáver e o Registro de Ocorrência. A magistrada destaca, também, que a morte de Adriano da Nóbrega não se deu “por causas naturais”.

Momentos antes da decisão, um integrante do governo de Wilson Witzel havia informado a VEJA que Adriano, morto numa operação policial conjunta das secretarias de segurança pública dos estados da Bahia e do Rio, realizada no domingo 9, seria cremado nesta quarta-feira.

Ex-capitão do Bope, Nóbrega era acusado de chefiar a milícia Escritório do Crime e considerado peça-chave na investigação do caso da rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República. Como afirma a magistrada na decisão, se consumada, a cremação dificultaria o esclarecimento de uma das principais dúvidas sobre a morte: se Nóbrega foi morto após reagir à ordem de prisão, como diz a versão oficial divulgada pelas autoridades, ou se foi executado, como alega sua esposa, que já classificou o episódio como queima de arquivo.

  • A versão de que houve queima de arquivo foi endossada a VEJA pelo advogado de Adriano da Nóbrga, Paulo Emílio Catta Preta.

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    Segundo Catta Preta, Adriano ligou para ele pela primeira vez na terça, 4, para dizer que temia ser morto como de “queima de arquivo”. O advogado afirma que nunca teve contato direto com o miliciano, mas que, apesar disso, tinha convicção de sua inocência e absolvição. A conversa aconteceu dias após uma operação para prendê-lo na Costa do Sauípe, na Bahia.

    “A mulher dele, Julia, me contou que policiais apontaram armas para as filhas do casal, de 17 e 7 anos, durante essa operação. Depois, o Adriano me ligou e afirmou que não adiantaria se entregar porque ninguém queria sua prisão, e sim sua morte”, disse o advogado a VEJA.

    Flávio Bolsonaro

    Em seu perfil oficial no Twitter, o senador Flávio Bolsonaro pediu “às autoridades competentes” que impedissem a cremação. “Acaba de chegar a meu conhecimento que há pessoas acelerando a cremação de Adriano da Nóbrega para sumir com as evidências de que ele foi brutalmente assassinado na Bahia. Rogo às autoridades competentes que impeçam isso e elucidem o que de fato houve”, diz a publicação.

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